Teerã responde à ameaça de Donald Trump: Estreito de Ormuz é iraniano
Teerã reafirmou neste sábado (15) que o Estreito de Ormuz "continuará sendo iraniano", depois que o presidente Donald Trump declarou que transformará "em breve" a região em território dos Estados Unidos.
O conflito entre as duas potências está concentrado há semanas no Estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o transporte de hidrocarbonetos do Golfo para o resto do mundo, onde a república islâmica pretende cobrar pelo trânsito de navios, algo que não acontecia antes do conflito iniciado com os bombardeios israelenses e americanos de 28 de fevereiro.
Desde o início da guerra, Teerã atacou muitos navios na área, e os Estados Unidos impuseram um bloqueio marítimo aos portos iranianos para impedir a exportação de petróleo e asfixiar as finanças do país.
"Muito em breve declararei o Estreito de Ormuz território dos Estados Unidos. É verdade", disse Trump com um pequeno sorriso durante um comício político em uma academia de polícia no estado de Nova York. O presidente afirmou que isso acontecerá "depois que terminarmos de derrotar o Irã".
Segundo Brian Schwartz, jornalista do Wall Street Journal que citou no X um funcionário da Casa Branca, Trump estava "brincando" ao dizer que Ormuz se tornaria um "território americano".
Brincadeira ou não, o Irã respondeu rapidamente ao comentário do octogenário líder republicano.
"O Estreito de Ormuz foi iraniano, é iraniano e continuará sendo iraniano. Este estreito só será aberto e fechado por ordem do Irã", escreveu na rede X o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi.
"Ormuz não pode ser tomado de assalto com um tuíte ou um porta-aviões, nem por meio de um decreto presidencial, nem com um discurso de campanha eleitoral", acrescentou o representante iraniano.
Em seu discurso de sexta-feira, Trump minimizou a alta do preço do combustível como consequência do conflito e defendeu sua decisão de lançar a guerra contra o Irã em fevereiro, ao lado de Israel.
"Se tiverem que pagar um pouco mais" pela gasolina, "não tem problema (...) nunca vou pedir desculpas. Tomei a decisão certa", disse.
Na sexta-feira, o preço da gasolina nos Estados Unidos estava 35% mais alto do que antes da guerra.
O conflito desperta pouca simpatia no país, e a popularidade do presidente foi fortemente abalada pelo descontentamento das famílias diante desse novo aumento no custo de vida.
No plano diplomático, o protocolo de acordo fechado em junho entre Estados Unidos e Irã para pôr fim ao conflito ruiu no início de julho, com novos bombardeios de um lado e de outro e com a disputa sobre a gestão futura de Ormuz.
Nos últimos dias, as hostilidades perderam intensidade, e o presidente americano parece privilegiar agora uma estratégia de pressão econômica. Nessa linha, seu secretário do Tesouro, Scott Bessent, ameaçou na quinta-feira o Irã com um isolamento econômico "como o mundo nunca viu".
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