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Fragilidade institucional de Gianni Infantino reflete crise de governança da Fifa

Máquina do Esporte ·
Fragilidade institucional de Gianni Infantino reflete crise de governança da Fifa

A Fifa vive um momento de tensão política que coloca em xeque a liderança do presidente Gianni Infantino . Até semanas atrás, o dirigente se referendava fortalecido pela realização da Copa do Mundo de 2026, a mais rentável da história, com receita recorde de R$ 15 bilhões.

No entanto, após a divulgação de planos, quase unilaterais, de vender 21% dos direitos comerciais do futebol a investidores externos, passou a enfrentar forte oposição de confederações como Uefa (Europa), Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e AFC (Ásia) .

Além da falta de necessidade de capitalização após um Mundial divulgado como extremamente bem-sucedido financeiramente, o plano pareceu apenas uma forma de agradar aliados políticos da vez, já que o investimento viria de uma pessoa ligada à família de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

Em um contexto às vésperas de uma nova eleição presidencial, Infantino colocou em risco mais um mandato. A Fifa pode ser entendida como uma entidade de democracia frágil, em que o presidente concentra poder sem mecanismos institucionais robustos de controle.

Guillermo O’Donnell, em seu estudo sobre democracias delegativas, estudou regimes políticos em que o líder, vencedor das eleições, se sente respaldado a governar o país como bem entender, limitado apenas pelas relações de poder existentes e pelo tempo constitucional de seu mandato.

Eleito pelo voto de federações nacionais, Infantino se arvorou a tomar decisões estratégicas, sem necessidade de prestação de contas. O presidente da Fifa enxerga a si mesmo como a encarnação da vontade geral das 211 federações, agindo como se a sua liderança fosse uma posse, e não um dever de ofício. Aliás, essa foi uma das críticas da carta conjunta das confederações dissidentes.

Para o cientista político argentino, que estudou as ditaduras e o processo de redemocratização da América Latina, esse modelo funciona enquanto há consenso, mas gera crises periódicas, muitas vezes insolúveis ao governante, quando suas decisões entram em choque com os interesses de seus antigos aliados, exatamente como acontece neste momento na organização que comanda o futebol mundial.

Samuel Huntington, em “A Ordem Política nas Sociedades em Mudança”, toca em outro ponto que se relaciona com a fragilidade institucional da Fifa. O norte-americano argumenta que a modernização sem institucionalização leva à instabilidade.

No caso da federação de futebol, houve recentemente a expansão de receitas, vivenciada desde a Copa do Mundo do Catar 2022, passando pela criação de novos torneios de alcance global, como a Copa do Mundo de Clubes de 2025, até chegar à Copa nos Estados Unidos, Canadá e México. Tal sucesso comercial, porém, não foi respaldado, na mesma proporção, por mecanismos de governança.

A ausência de estruturas sólidas para equilibrar o poder presidencial e garantir transparência cria um ambiente propício a conflitos internos e desgaste político. A crise atual reflete exatamente esse descompasso: crescimento econômico sem institucionalização política.

Por fim, outro tópico essencial para pensarmos a crise na Fifa vem da personalização do líder.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em maquinadoesporte.com.br — o conteúdo pertence a Máquina do Esporte.

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