Apesar de desaceleração, ABFintechs vê espaço para consignado CLT crescer, diz líder de GT
O líder do grupo de trabalho do Crédito ao Trabalhador da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Jonatas Giovinazzo, aponta que a modalidade deve continuar crescendo, apesar da desaceleração do ritmo observada nos últimos meses.
Em entrevista ao JOTA , Giovinazzo destaca que a desaceleração não significa que o mercado está esgotado.
Os dados do Banco Central (BC) mostram que, depois de atingir um pico de R$ 10,9 bilhões em concessões em março, o consignado para trabalhadores do setor privado passou a flutuar em patamares menores.
Em agosto, foram R$ 8,8 bilhões concedidos, nível similar ao registrado em julho.
Ainda assim, o volume é quase seis vezes maior do que os níveis registrados antes do lançamento do Crédito ao Trabalhador, que giravam em torno de R$ 1,5 bilhão por mês.
Giovinazzo explica que a migração de trabalhadores de carteira assinada para um novo produto impulsionou o crescimento acelerado da modalidade.
Por outro lado, o líder ressalta que o espaço para crescimento existe considerando que atualmente são entre 10 e 11 milhões de CPFs no consignado em um universo de 39 milhões de trabalhadores do setor privado.
“A gente entende que essa etapa de imigração deve se encerrar à medida que todos os trabalhadores tenham conhecimento sobre o programa. [A modalidade] passa a ser sempre uma opção dentro do leque de oportunidades ou captação de crédito perante um trabalhador”, afirma.
Para o especialista, o crescimento nessa nova etapa vai passar a depender mais de outros fatores, como a qualidade do crédito e a análise mais apurada das instituições.
Giovinazzo destaca, por exemplo, o custo de capital, que para as fintechs é mais alto pela utilização de estruturas de Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs).
Outro fator que deve impactar nos números é o mercado de trabalho, porque o produto depende de fatores além do nível de emprego, como a manutenção do vínculo empregatício.
Ainda há um terceiro ponto, destacou, que é a efetividade das garantias, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e as verbas rescisórias.
Ele aponta que a execução dessas garantias em larga escala ainda não foi testada.
“Enquanto não houver segurança de que esses mecanismos de fato vão funcionar na prática, as instituições vão ter mais dificuldade de incorporar essas garantias nos produtos, ou seja, nos modelos de risco”, diz.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.