Viagem perigosa
O simples fato de operar na clandestinidade é insuficiente para determinar a insegurança de um transporte, assim como o legalizado pode circular com defeito.
No entanto, o descuido com as exigências do Estado implica indício de descaso com a manutenção dos veículos, observando-se acidentes graves.O avanço dos condutores irregulares na Bahia revela um problema muito além da concorrência desleal com empresas regularizadas configurando flagrante imoral.
Trata-se de questão de segurança pública, fiscalização e, sobretudo, de preservação da vida, o valor maior.Os números divulgados pela Polícia Rodoviária Federal demonstram o crescimento da atividade irregular no país, mesmo diante de alardeadas operações de combate.
Há o crime individual, mas as causas vêm também do crime estrutural no mercado legalizado: tarifas elevadas, horários insuficientes e acesso difícil.O caso recente do ônibus clandestino em Petrópolis, causando a morte de dez pessoas, serve como um alerta dramático sobre os riscos envolvidos nesse serviço.
Tragédias dessa natureza evidenciam o possível desdobramento da aparente economia oferecida ao passageiro, resultando em consequências irreversíveis.Quando se faz a escolha pelo critério de menor preço, de fato se consegue viajar por valor mais em conta, porém uma verdade se impõe: efeitos geram efeitos ao infinito.
No primeiro momento, o da aquisição, a sensação de economia é boa.
Mas a viagem ainda não começou e corre risco de ser interrompida na fase seguinte.Pode ficar tarde para o aprendizado proporcionado pela vida, na ideia de prever o mal para evitá-lo: a milenar recomendação em latim “Premeditatio malorum”.
A título de ilustração, fica fácil captar a mensagem quando se verifica aquela licitação pública de canetas pelo menor preço, um bom negócio se elas escrevessem.
Uma saída possível é melhorar o transporte regular e conscientizar mais pessoas a fim de reduzir os riscos de toda viagem.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.