EUA alongaram a dívida: Por que o Brasil ainda paga caro para rolar seus títulos? Especialista aponta principal diferença entre países
O mercado global tem demonstrado preocupação crescente com o nível das taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados Treasuries , especialmente diante do elevado volume de emissões de dívida de longo prazo pelo governo americano.
Na avaliação de Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos da AW Capital , o movimento de recompra anunciado pelo governo ajuda a reduzir parte desse receio ao reforçar a liquidez desses papéis.
Em entrevista ao Giro do Mercado, o analista afirmou que “a enxurrada de ofertas de títulos de 10, 20 e 30 anos tem levado investidores globais a exigir taxas cada vez maiores.
Na segunda e na terça-feira, por exemplo, os juros dos Treasuries de 30 anos chegaram aos maiores níveis desde 2007”.
Nesse cenário, a recompra dá “um pouco mais de sossego” aos investidores, ao sinalizar que haverá demanda do outro lado da operação caso decidam se desfazer dos títulos, explicou.
Confira a análise completa no Giro do Mercado Magno destaca ainda que Estados Unidos, Japão e China concentram volumes expressivos de títulos americanos.
Para ele, a capacidade do governo dos EUA de emitir dívida com prazos mais longos representa uma diferença importante em relação ao Brasil, que historicamente depende mais de emissões de prazo curto e de títulos pós-fixados.
Custo da dívida é diferença entre EUA e Brasil Na visão do especialista, o principal contraste entre a situação fiscal brasileira e a americana está no custo de rolagem da dívida .
Embora os Estados Unidos tenham uma dívida elevada e despesas significativas com saúde, seguridade social e defesa, o país consegue financiar esse passivo a um custo relativamente menor e em prazos mais longos.
“Como os Estados Unidos alongam muito essa dívida, acaba que, com a taxa um pouco mais baixa que a do Brasil, esse custo acaba sendo bem menor do que o brasileiro”, afirmou.
No Brasil, por outro lado, o elevado custo de financiamento dificulta o alongamento da dívida.
Magno cita como exemplo o vencimento de cerca de R$ 260 bilhões ocorrido nesta semana e ressalta que novas emissões brasileiras carregam taxas significativamente mais altas, em um cenário de Selic ainda próxima de 14% ao ano.
Para o especialista, a solução passa necessariamente por uma melhora das contas públicas.
“Aqui no Brasil a gente tem que ter um controle de gastos para fazer com que esse custo de rolar a dívida comece a diminuir”, disse.
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