A agenda para juros menores em 2027
Doutor em economia por Yale, foi professor da London School of Economics (2004-2010) e é professor titular da FGV EESP
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Em janeiro de 2025, escrevi que as taxas de juros reais (indexadas à inflação ) dos títulos públicos estavam em níveis que não se viam desde a crise financeira de 2009. Passado um ano e meio, os juros reais estão até um pouco mais altos que estavam. Cerca de 7,8% mais o IPCA para um período de 10 anos.
Na comparação com outros países, esse número salta aos olhos. É possível encontrar taxas de juros reais ainda maiores em países com inflação muito alta, como Argentina e Turquia, mas há poucos casos como esses.
A Colômbia, com juros reais em torno de 6%, chega perto. México e África do Sul pagam juros reais inferiores a 5% nos títulos de 10 anos, enquanto no Chile e Uruguai, as taxas estão abaixo de 3%.
Na comparação com o passado, as taxas de juros também estão altas demais. Tivemos taxas de juros parecidas em momentos de grandes crises (a crise internacional de 2009 e a do governo Dilma Rousseff em 2016). Não estamos passando por uma recessão, não há turbulência nos mercados internacionais.
Juros reais tão altos levam a um rápido aumento da dívida pública . Juros de 7,5% anuais sobre uma dívida de 80% do PIB geram uma conta para o governo igual a 6% do PIB. Se continuarmos assim por anos, a dívida ficará insustentável.
Além disso, o custo do financiamento de investimentos para empresas grandes acompanha a taxa de juros dos títulos públicos. Assim, juros altos desestimulam o investimento em projetos de longo prazo.
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