Dados são 'petróleo' na era da inteligência artificial, dizem especialistas
A inteligência artificial rompeu a barreira do software abstrato e inaugurou um novo ciclo econômico focado em duas grandes frentes: a interação com o mundo físico através da robótica e a transformação do trabalho corporativo por agentes autônomos. Essa transição tecnológica está reconfigurando as cadeias de suprimentos globais e os modelos de negócios. As conclusões foram apresentadas durante painéis sobre IA física e a nova economia de software no festival SP2B (São Paulo Beyond Business), realizado em São Paulo.
Apesar do apelo visual das empresas que desenvolvem robôs humanoides, a verdadeira disrupção da década não estará na venda de máquinas, mas na capacidade de ensiná-las a pensar. Para Lior Handelsman, sócio-gerente da Grove Ventures, o equipamento físico perderá valor relativo.
O hardware se tornará uma commodity; se não for agora, será em 10 anos. O raciocínio [da IA] é tudo. Lior Handelsman, sócio-gerente da Grove Ventures
Segundo ele, a rentabilidade virá da atuação de máquinas em nichos específicos, o que exigirá fortes investimentos na base da cadeia, como chips de comunicação óptica, novas arquiteturas de memória e matrizes energéticas capazes de suportar os data centers. Nesse contexto de processamento massivo, a busca será, cada vez mais, por fonte de informação.
Os dados são o novo petróleo. Lior Handelsman, sócio-gerente da Grove Ventures
Para sustentar esse processamento, a indústria terá de derrubar o que Handelsman define como a iminente "parede de memória". Hoje, as Unidades de Processamento Gráfico (os GPUs, chips que fazem muitos cálculos simultaneamente) passam 40% do seu tempo de operação ociosas, apenas aguardando a transferência de dados da memória - um gargalo crítico à medida que os modelos de linguagem exigem cada vez mais contexto.
Esse obstáculo técnico gerou uma corrida por capital. A Majestic, fabricante de chips focada em solucionar essa falha de comunicação, já acumula US$ 400 milhões em pré-encomendas mesmo antes de finalizar seu produto. A Teramount, desenvolvedora de comunicação por fotônica de silício, foi adquirida recentemente por mais de meio bilhão de dólares.
Além do hardware, a alimentação dessa rede elétrica sobrecarregada atrai o grande capital tradicional.
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