'Ele nos drogou e nos fez urinar na roupa': as acusações de mais de 200 mulheres contra ex-funcionário do governo francês
Homem é suspeito de dopar 240 mulheres na França e faze-las urinar nas roupas "Eu estava muito fraca, já não conseguia sentir direito as minhas pernas.
Senti medo.
Não sabia o que estava acontecendo", relata Anaïs de Vos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Era julho de 2011 e Anaïs, então com 27 anos, estava em uma entrevista para uma vaga no Ministério da Cultura da França, em Paris.
Ela normalmente não tomava café, mas, quando o entrevistador, um funcionário público de alto escalão chamado Christian Nègre, lhe ofereceu um, ela aceitou por educação.
Ele mesmo preparou o café, conta ela à BBC Global Women, mas "tinha um gosto ruim... então bebi metade".
A reunião tinha começado no escritório, mas, depois de alguns minutos, Nègre sugeriu que eles saíssem.
LEIA TAMBÉM Macron é criticado por foto em jet ski em meio a onda de calor e incêndios na França EUA vazam dados de sobreviventes da rede Epstein na internet Novo México processa o governo Trump para ter acesso aos arquivos de Epstein Enquanto caminhavam pelas ruas de Paris, Anaïs começou a sentir uma necessidade inexplicável e incontrolável de urinar.
Ela se sentiu desconfortável em dizer a Nègre que queria voltar ao escritório para usar o banheiro e disse que estava com frio como desculpa para retornar ao prédio.
Mas, segundo ela, ele continuou andando, conduzindo os dois em direção às margens do rio Sena.
Então ela disse que precisava encontrar um banheiro com urgência.
"Ele olhou no fundo dos meus olhos e disse: 'Ah, você precisa fazer xixi?'", lembra.
"Eu me senti como uma criança.
Achei muito estranho o jeito como ele olhou para mim, quase com satisfação." Ela afirma que ele a levou até a porta de um depósito sob uma ponte sobre o Sena e disse: "Você pode fazer aqui." Anaïs é uma das quase 250 mulheres que acreditam que Nègre as drogou em supostos incidentes ocorridos entre 2009 e 2018, submetendo-as ao que é conhecido como submissão química — situação em que drogas são utilizadas para obter controle sobre alguém.
O conceito de submissão química ganhou destaque na França em 2024, quando o marido de Gisèle Pelicot foi condenado por sedá-la e convidar desconhecidos para estuprá-la enquanto ela estava inconsciente.
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