De Dirceu a Cunha: o plano da velha guarda para recuperar poder em Brasília
Com um manifesto de apoiadores que inclui Gilberto Gil, o maestro João Carlos Martins e os ex-ministros Celso Amorim e Nelson Jobim, José Dirceu estreou esta semana seu site de campanha para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. Passaram-se mais de dez anos desde que ele mergulhou no que seria um longo inferno astral, com condenações devido ao mensalão, revelado em 2005, e pela Lava Jato.
Da velha guarda do Congresso, Dirceu não está sozinho nessa tentativa de retorno: só do PT tentam retornar à Casa os ex-deputados João Paulo Cunha, em São Paulo, e André Vargas, no Paraná.
Do outro lado da trincheira, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos) saiu do Rio de Janeiro para tentar a sorte como candidato a deputado federal por Minas Gerais. E o ex-senador Romero Jucá (MDB) conseguiu autorização na Justiça para buscar uma vaga no Congresso por Roraima, mas acabou desistindo do pleito esta semana.
Os petistas dão como certo que, de volta às urnas aos 80 anos, Dirceu será um dos puxadores de voto da legenda, com uma expectativa de mais de 200 mil votos.
Desde o ano passado, o ex-ministro fazia uma intensa agenda de pré-campanha, que foi temporariamente interrompida em razão do tratamento de um linfoma. A última sessão de quimioterapia será no dia 25 de agosto, quando ele espera retomar a agenda na rua. Por enquanto, faz lives, teleconferências, reuniões e vídeos para as redes sociais.
Ex-preso político na ditadura militar (1964-1985), José Dirceu cumpriu um ano de prisão por causa do mensalão e mais dois anos por acusações na Operação Lava Jato, que acabaram anuladas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Teve, ao todo, cinco prisões na vida e diz sempre que todas foram arbitrárias. Com um patrimônio declarado à Justiça Eleitoral de R$ 4,1 milhões, Dirceu registrou como seu maior bem uma casa de mais de R$ 3 milhões na capital paulista.
Réu do mensalão, João Paulo Cunha, que presidiu a Câmara dos Deputados no primeiro mandato de Lula (2003-06), ficou preso por dois anos e recebeu indulto e perdão de pena em 2016. Saiu dos holofotes da política, mas nunca deixou Brasília, onde atuou como advogado. Diferentemente de Dirceu, que tem capilaridade em todo o estado de São Paulo, sua base eleitoral fica em Osasco e na Região Metropolitana de São Paulo. Ele é um dos 49 candidatos a deputado federal do PT paulista. Declarou apenas dois bens que somam R$ 3,2 milhões: uma casa em Brasília, de R$ 3,15 milhões, e um carro de R$ 53 mil.
No Paraná, André Vargas é um dos 22 candidatos do PT à Câmara dos Deputados. Foi o primeiro político condenado por Sergio Moro —hoje candidato ao governo do estado pelo PL— no âmbito da Lava Jato, em 2015. A sentença foi anulada pelo STF. Teve dois mandatos na Câmara, onde chegou à vice-presidência. Em 2010, foi um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff. Retomou a atividade partidária com afinco no ano passado. Declarou à Justiça Eleitoral cerca de R$ 450 mil.
Ex-presidente da Câmara e artífice do impeachment de Dilma, Eduardo Cunha escolheu Minas para se candidatar. Apresentou um patrimônio de R$ 14,1 milhões, dos quais mais de R$ 12,5 milhões estão em uma conta judicial na Caixa.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.