Nikolas Ferreira ganha terreno nas redes de direita contra irmãos Bolsonaro
Na eleição de 2026, um fenômeno novo se apresenta em diversos estados através da figura de Nikolas Ferreira (PL-MG). Em ao menos dez estados, candidatos a deputado se apresentam como "candidatos do Nikolas", o nome mais influente da direita nas redes, e organizam a campanha sob a marca do deputado mineiro em vez do sobrenome Bolsonaro: Ana Campagnolo, em Santa Catarina; Lucas Pavanato e Pedro Pôncio, em São Paulo; Roberta Lopes, em Minas Gerais, entre outros.
Parte desse grupo evita vincular a própria candidatura a Flávio Bolsonaro, e o movimento cresce à sombra de uma cisão que ficou explícita em abril, quando Eduardo Bolsonaro acusou Nikolas de favorecer perfis hostis à família.
Na última terça-feira (18), Nikolas e Flávio caminharam juntos em Belo Horizonte, num gesto público para sinalizar a aliança, mas, ainda assim, parte da base de direita não comprou o movimento.
Para medir como a base bolsonarista reagiu aos movimentos dos "candidatos do Nikolas", a Palver analisou o debate em grupos públicos de aplicativos de mensagem, no X e no Instagram, com cada rede lida separadamente.
No X, o fenômeno é recebido como traição de Nikolas Ferreira. Entre as mensagens que se posicionam sobre o assunto, 43% tratam os "candidatos do Nikolas" como ameaça ou abandono de Flávio, contra 13% de adesão ou defesa do deputado. "Bolsonaristas, não votem em candidatos indicados por Nikolas Ferreira" aparece com frequência.
Nos aplicativos de mensagem, o duelo é mais apertado , com 31% de reações de traição, contra 25% de adesão e defesa.
E, no Instagram, onde Nikolas Ferreira é mais forte, o sinal se inverte : mais de 40% de adesão e defesa, contra 12% de percepção de traição. "Sou de direita e não vou de Flávio, não" aparece entre usuários que declaram ser apoiadores do deputado mineiro.
O X concentra o bolsonarismo histórico e o ecossistema que orbita Eduardo, onde a fidelidade ao sobrenome é regra e a cobrança é pública.
O Instagram abriga um discurso mais unilateral, em que os usuários conversam com os seguidores, mas não se enfrentam como no X. Conta também com apoiadores locais e a audiência jovem que Nikolas mobiliza como ninguém.
No meio do caminho, os aplicativos de mensagem funcionam como campo de batalha dividido, e com grande presença do deboche, que responde por mais de um terço das reações da mensageria. Um exemplo anedótico que ilustra a situação é o comentário de um usuário que diz "De Flávio, nada" ao comentar publicações de Michelle Bolsonaro que celebravam o desempenho de Nikolas sem citar o presidenciável.
Entre as mensagens que exibem peças dos candidatos-satélite ou descrevem seus vínculos, a maioria associa os nomes de Flávio e Nikolas: 51% na mensageria, 60% no X e 68% no Instagram. O conteúdo que circula só com a marca Nikolas, sem menção a Flávio ou ao sobrenome Bolsonaro, fica entre 10% nas mensagens e 20% no Instagram. O santinho sem Flávio existe, cresce nas redes mais visuais, mas segue minoritário.
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