A direita latino-americana está dividida em relação a Lula
Engana-se quem acha que toda a direita latino-americana está alinhada com o presidente da Argentina, Javier Milei, em sua posição abertamente ofensiva contra o governo do presidente Lula. Muitos dos presidentes da chamada onda azul, que chegaram ao poder nos últimos meses, querem ter uma relação não apenas cordial, mas construtiva com o governo brasileiro.
Segundo a coluna apurou, a nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, buscou uma aproximação com o governo Lula pouco depois de confirmada sua vitória nas eleições presidenciais de seu país. Keiko, disseram fontes oficiais à coluna, abriu um canal de comunicação com o governo brasileiro através do qual expressou sua admiração pelo presidente do Brasil, a quem considera, disseram as fontes, uma liderança regional.
O gesto de Keiko mostra que a direita latino-americana está dividida em relação ao governo e ao presidente do Brasil. Os mais pragmáticos, como a nova presidente peruana, expressam em suas conversas com autoridades brasileiras que o Brasil é um aliado estratégico, com o qual querem ter as melhores relações. Ideologias são deixadas de lado.
A mesma atitude tem o presidente chileno, José Antonio Kast, que enviou seu chanceler, Francisco Pérez Mackenna, ao Brasil. Durante três dias, o ministro das Relações Exteriores do Chile manteve encontros com autoridades e empresários, deixando bem claro, frisaram fontes diplomáticas em Brasília, que as relações bilaterais são extremamente importantes para o governo Kast.
Lula não presenciou a posse do presidente chileno em março passado, decisão que gerou intenso debate dentro do governo brasileiro. O Itamaraty era favorável a que o presidente viajasse até Santiago, mas foi derrotado no debate. A ausência de Lula, porém, não afetou o interesse do novo governo chileno em buscar uma aproximação entre os dois governos, apesar do vínculo de Kast com a família Bolsonaro. Mais uma vez, ideologias ficaram de lado.
O governo do presidente boliviano Rodrigo Paz, que vive de sobressalto em sobressalto, pediu o socorro do Brasil quando a crise apertou, há alguns meses. O governo Lula enviou uma aeronave KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) à Bolívia para atuar em uma operação de ajuda humanitária emergencial. O avião permaneceu dez dias no país.
Os dois governos mantêm um bom relacionamento, e Paz vem insistindo na necessidade da retomada de investimentos da Petrobras no país. O governo Lula está de acordo, mas pede mudanças na legislação nacional.
Com o Equador, o relacionamento tem alguns temas de conflito, entre eles as barreiras que enfrentam as bananas e os camarões equatorianos no mercado brasileiro, mas o vínculo bilateral é bom. Tanto que o presidente Daniel Noboa visitou o Brasil em 2025.
Com o Paraguai as tensões continuam, mas não atingiram o nível da crise com a Argentina de Milei. Com a Venezuela tutelada pelos Estados Unidos de Donald Trump, pouco mudou.
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