Das ruas e redes à vitória nas urnas: a UNE e a arrancada de Lula
“Os meninos e o povo no poder, eu quero ver” (Milton Nascimento e Fernando Brant) Bastou sair o resultado do primeiro turno para que as universidades brasileiras entrassem em movimento.
Em menos de 24 horas, assembleias começaram a ser convocadas por todo o país, a pioneira na Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, ainda no dia 5 de outubro.
Auditórios lotados, estudantes que nunca haviam participado do movimento passaram a se organizar e, em poucos dias, as mobilizações atravessaram os portões dos campi e ocuparam as ruas de todo o Brasil, das capitais ao interior.
Apenas uma semana depois, a pesquisa BTG/Nexus revelou um dado significativo: Lula passou de 49% para 57% das intenções de voto entre os jovens de 16 a 24 anos, oito pontos a mais que em setembro.
O presidente passou à frente nesse segmento, diante de 39% de Flávio Bolsonaro.
A União Nacional dos Estudantes foi o fio que costurou esse movimento.
Em 13 de outubro, sua diretoria executiva aprovou oficialmente o apoio à reeleição de Lula e convocou o movimento estudantil a entrar em estado permanente de mobilização até o segundo turno.
A decisão não nasceu de cima para baixo: institucionalizou um sentimento que já percorria as universidades e transformou assembleias locais em uma rede nacional, com calendário, tarefas e divisão territorial.
Enquanto as redes sociais amplificavam a mensagem, a UNE levava o debate para os campi, as praças e os terminais.
Duas faces da mesma moeda Essa articulação entre o digital e o presencial foi decisiva.
Nas redes, estudantes produziram conteúdo, organizaram comitês e disputaram narrativas com a campanha adversária.
Nas ruas, as brigadas estudantis conversaram com eleitores em praças, estações, pontos de ônibus e portas de fábrica, inclusive com quem não votara em Lula no primeiro turno.
Uma coisa alimentava a outra: os vídeos das assembleias mobilizavam novos estudantes, e os atos davam força para que o conteúdo das redes se transformasse em presença física.
Como uma moeda, redes e ruas eram lados diferentes e complementares de um mesmo movimento.
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