Dinheiro das bets começa a voltar aos supermercados, mas ações ainda não sentem efeito; entenda
Os primeiros números do consumo nos supermercados brasileiros após a proibição das casas de apostas online (as bets) sinalizam uma possível confirmação da expectativa dos analistas do mercado financeiro: parte do dinheiro antes destinado às apostas está voltando para as compras das famílias.
O movimento pode beneficiar empresas do varejo alimentar listadas na bolsa, embora ainda não apareça no desempenho das ações, pressionadas pela onda de vendas que atingiu o mercado após o resultado das eleições presidenciais.
Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), divulgado nesta quarta-feira (28), aponta que o consumo no varejo alimentar cresceu 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, a expansão foi de 6,3%, também na comparação anual.
Segundo a entidade, o crescimento ocorreu em diferentes formatos de comércio, incluindo supermercados, atacarejos e mercearias, com destaque para produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café.
A Abras associa esse desempenho à proibição das apostas de cota fixa e esportivas, determinada pela Medida Provisória 1.394/2026.
Embora os números indiquem uma recuperação do consumo, ainda não é possível determinar exatamente quanto desse crescimento decorre diretamente do fim das bets, já que outros fatores também podem influenciar as compras das famílias.
Quando o governo anunciou a proibição das bets, no fim de setembro, analistas ouvidos pelo Valor Investe apontaram o varejo alimentar, especialmente os atacarejos Assaí (ASAI3) e Grupo Mateus (GMAT3), entre os principais beneficiários da medida, devido à maior exposição às famílias de baixa renda.
A expectativa era de que parte do dinheiro antes destinado às apostas voltasse para as compras de supermercado, ajudando a recuperar o consumo.
Os números divulgados agora pela Abras reforçam essa perspectiva, embora ainda seja cedo para medir os efeitos sobre o faturamento e os lucros das empresas.
E por que as ações não sobem? A perspectiva de melhora operacional encontra, porém, um cenário bastante diferente na bolsa brasileira.
A reação negativa dos investidores ao resultado das eleições presidenciais provocou uma reavaliação das expectativas para a economia, com pressão sobre os juros futuros e saída de recursos de ações de diferentes setores.
Nesse ambiente, mesmo empresas que podem se beneficiar de uma recuperação do consumo doméstico enfrentam a deterioração do humor dos investidores.
Além disso, o fim das bets não elimina os problemas que já pressionavam as varejistas, como o endividamento das famílias e o custo elevado do crédito.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.