Shein pretende estrear na bolsa de Hong Kong em 1º de setembro; o que esperar do IPO?
A varejista Shein pretende lançar sua oferta pública inicial de ações (IPO) em Hong Kong na segunda-feira (22) e mira a listagem para 1º de setembro, data um pouco posterior à planejada inicialmente, disseram fontes a par do assunto ouvidas pela agência Reuters.
Embora 1º de setembro seja o alvo, a estreia pode ocorrer alguns dias depois, afirmou uma das fontes.
Na semana passada, foi noticiado que a companhia planejava listar suas ações em 28 de agosto.
A empresa busca uma avaliação de mercado entre US$ 26 bilhões e US$ 27 bilhões, segundo uma fonte com conhecimento direto do assunto.
O valor representa uma queda acentuada frente aos cerca de US$ 100 bilhões alcançados numa rodada de captação privada em 2022.
Antes, quando começaram as reuniões com investidores que antecedem a oferta, a Shein buscava algo entre US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões.
Procurada, a empresa não respondeu a um pedido de comentário.
O adiamento, noticiado primeiro pelo South China Morning Post, ocorre num momento em que o crescimento mais lento e o aumento dos custos reduziram o interesse dos investidores.
Há poucos anos, a varejista online de "fast fashion" era vista como uma concorrente capaz de desestabilizar marcas estabelecidas, como H&M e Zara, graças à cadeia de fornecedores ágil e aos preços muito baixos.
A companhia recebeu aprovação do regulador de valores mobiliários da China em julho e divulgou em seguida a minuta de seu prospecto.
A US$ 26 bilhões a US$ 27 bilhões, a Shein seria avaliada em cerca de 0,6 vez a receita de 2025, um desconto expressivo frente ao que o mercado costuma atribuir às líderes globais de vestuário.
Mesmo a faixa de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões implicaria entre 0,7 e 1,0 vez as vendas, ante cerca de 1,1 vez da H&M, 4,6 vezes da Inditex (dona da Zara) e 7,6 vezes da Fast Retailing (dona da Uniqlo), segundo estimativas citadas pela Reuters.
Para os analistas do BTG Pactual, o recuo tem menos a ver com falta de escala e mais com uma compensação por menor previsibilidade de lucros, risco regulatório e dúvidas sobre a durabilidade do modelo de vendas diretas da China ao consumidor.
Dezenas de bilhões em receita, mas dinâmica de crescimento preocupa O prospecto confirmou que a Shein já opera em escala notável.
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