Com IA, livros escritos por humanos podem se tornar 'produtos premium'
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No início deste ano, o autor Steven Rosenbaum recebeu um telefonema que virou seu mundo de cabeça para baixo. O livro que ele havia passado três anos pesquisando e escrevendo, foi informado, continha citações inventadas por ferramentas de IA .
"Quando soube que havia imprecisões factuais em ‘The Future of Truth’, minha primeira reação foi: isso é impossível", conta Rosenbaum, dois meses após a descoberta. "O livro havia passado por um processo editorial tradicional, com várias rodadas de edição e revisão."
Rosenbaum havia sido transparente sobre o uso de ferramentas de IA em seu livro de não ficção —ironicamente, um estudo sobre o futuro da verdade e da tecnologia —, mas as utilizara apenas para pesquisar e organizar o material, inclusive para resumir documentos de referência e entrevistas.
"O que não percebi foi que, em alguns casos, ela transformou esses resumos no que pareciam ser citações diretas", afirma. "O perigo não é a IA escrever uma prosa ruim . O perigo é ela escrever uma prosa convincente associada a fatos que nunca existiram."
O rápido desenvolvimento da IA está mudando a maneira como o setor editorial, avaliado em US$ 140 bilhões, encomenda, edita e distribui livros. O uso não autorizado de material protegido por direitos autorais por empresas de IA também se tornou uma preocupação crucial. Na semana passada, a Anthropic concordou em pagar US$ 1,5 bilhão em um acordo com autores e editoras após usar mais de 480 mil obras publicadas para treinar seus grandes modelos de linguagem sem pagamento nem autorização.
Mas é também o emprego da tecnologia na própria criação literária —e a ameaça de que a IA possa substituir autores humanos— que preocupa o setor editorial, uma atividade que opera de maneira semelhante há décadas, quando não há séculos.
O mercado de livros está profundamente dividido sobre como lidar com uma tecnologia que algumas editoras e alguns autores juram não usar, mas que outros veem como uma enorme oportunidade, já capaz de mudar os hábitos de leitura e de consumo de audiolivros.
"Toda semana vemos um livro que suspeitamos envolver IA ", diz um alto executivo do setor editorial. "É difícil avaliar a zona cinzenta entre um texto genérico e um texto escrito por IA. Não sabemos quanto conteúdo publicamos sem perceber."
Agentes dizem que também estão sendo inundados por textos gerados por IA. "Vemos isso aparecer em livros que as pessoas nos enviam", afirma Christy Fletcher, codiretora da UTA Publishing, que representa autores como Daniel Mason e Eric Ries .
"É realmente evidente. Agora você precisa se treinar para perguntar: isto parece ter sido escrito pelo Claude , o chatbot da Anthropic ?"
Em março, a editora francesa Hachette foi obrigada a retirar das prateleiras do Reino Unido "Shy Girl", romance de terror de Mia Ballard , e a cancelar seu lançamento nos Estados Unidos após acusações de que a obra teria sido parcialmente escrita por IA. Ballard negou a alegação.
O romance havia conquistado seguidores como livro independente antes de ser adquirido pela Hachette.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.