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Jogo do bicho envelhece em Goiânia e perde espaço para bets e Tigrinho

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Jogo do bicho envelhece em Goiânia e perde espaço para bets e Tigrinho

São 40 anos sentado atrás de uma pequena banca no Centro de Goiânia. O homem de cabelos grisalhos, de 66 anos, fala rápido e passa o dia contando histórias. Mas já houve um tempo em que ele falava bem menos. “Hoje as apostas são muito poucas. O serviço é bem menos”, afirma.

O homem é apontador do jogo do bicho. Para os mais jovens, apontador é quem anota os palpites dos clientes, recolhe o dinheiro das apostas e emite o bilhete. É a ponta da operação que mantém contato direto com o apostador.

“Hoje eu faturo menos de 10% do que faturava duas décadas atrás. O pessoal foi envelhecendo e morrendo. Não existe uma geração de novos jogadores. O jogo do bicho não passou de pai para filho”, afirma.

São quatro décadas sentado na mesma cadeira, no mesmo lugar. Nesse período, o apontador acompanhou de perto as mudanças nos hábitos dos clientes. Hoje, vê uma clientela envelhecida e novas modalidades de apostas ocupando um espaço cada vez maior na vida dos mais jovens.

“O jogo do bicho está envelhecendo. Meus apostadores têm, em média, 50 anos. Esta semana perdi uma grande amiga e apostadora. É assim toda semana.”

A percepção do apontador é que o jogo perdeu a capacidade de renovar seus apostadores. O hábito que durante décadas fez parte da rotina de famílias não está sendo transmitido às novas gerações.

Os filhos dos antigos apostadores não aparecem na banca. “Não é que as pessoas não apostem, mas apostam em casa, no trabalho, em um bar, restaurante, tudo pelo celular. A banca, hoje, é um celular”, define. A frase resume a principal transformação que ele testemunha depois de 40 anos de profissão.

O jogo do bicho tradicional depende de uma relação presencial. O apostador precisa procurar uma banca ou um apontador, fazer o jogo e voltar para conferir o resultado.

As bets e os jogos on-line, como o Tigrinho, inverteram essa lógica. A aposta está disponível no celular, a qualquer hora e em praticamente qualquer lugar. “Antes, o apostador precisava ir até mim. Agora, o jogo chega até ele, onde ele estiver.”

A mudança é especialmente perceptível entre os jovens. Nem mesmo a repercussão da série documental “Vale o Escrito – A Guerra do Jogo do Bicho” foi suficiente, segundo o apontador, para levar uma nova geração às bancas. A produção, lançada pelo Globoplay em 2023, conta a história do jogo do bicho no Rio de Janeiro e de famílias ligadas à contravenção.

“Muitos jovens me procuram perguntando sobre o que é o jogo do bicho por causa da série, mas não jogam.”

O problema, portanto, não é apenas a concorrência de novas modalidades. É também a falta de renovação. O jogo que durante décadas passou de pai para filho parece ter interrompido esse ciclo.

Apesar da queda no movimento, o apontador ainda guarda histórias de grandes prêmios. A mais recente aconteceu no início de agosto, quando um apostador ganhou R$ 128 mil na banca. Foi a maior quantia que ele já pagou nos últimos anos.

E o valor chama ainda mais atenção porque o apostador havia colocado apenas R$ 20. “Eu continuo pagando boas premiações aqui. Eu falo que minha banca dá muita sorte. No início de agosto, por exemplo, um apostador ganhou comigo R$ 128 mil.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.maisgoias.com.br — o conteúdo pertence a Mais Goiás.

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