Agricultor ara um campo e encontra peças de prata enterradas, chamando especialistas que descobrem um tesouro romano deixado no solo há quase 2 mil anos
Um dos mais impressionantes conjuntos de artefatos romanos já encontrados revela a riqueza e a devoção religiosa na Gália antiga.
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O famoso Tesouro de Berthouville representa um dos mais fascinantes achados arqueológicos do século XIX na Europa Ocidental. Esse conjunto de artefatos milenares ilustra a complexa relação entre as práticas religiosas romanas e a cultura da Gália.
O achado histórico aconteceu em março de 1830, quando o agricultor Prosper Taurin trabalhava em suas terras na comuna de Berthouville , na França . O arado de sua charrete atingiu um objeto rígido a poucos centímetros da superfície, revelando telhas antigas e peças metálicas agrupadas.
Após escavar a área com ferramentas manuais, Taurin removeu dezenas de itens de prata que totalizavam quase vinte e cinco quilos. Consequentemente, especialistas locais foram acionados para avaliar os objetos, confirmando tratar-se de um patrimônio preservado da era do Império Romano .
O conjunto arqueológico é formado por cerca de noventa peças distintas, incluindo jarras, estatuetas e recipientes ricamente ornamentados. A maioria dos itens servia para rituais religiosos no antigo santuário local, evidenciando o sincretismo entre as tradições celtas e as crenças trazidas pelos conquistadores romanos.
Além disso, inscrições nos artefatos indicam que muitos foram oferecidos ao deus Mercúrio por cidadãos influentes da época, como o galo-romano Quintus Domitius Tutus . Essas dedicatórias gravadas no metal ajudam os pesquisadores a mapear as hierarquias sociais e as práticas votivas daquela província.
Nesse contexto, historiadores apontam que o Tesouro de Berthouville foi ocultado deliberadamente durante um período de extrema instabilidade na Gália . No final do terceiro século, a região enfrentou invasões germânicas e conflitos internos, forçando os sacerdotes a esconderem os bens valiosos do templo.
Por outro lado, a técnica de soterramento garantiu a preservação impecável dos metais preciosos por quase dois milênios. A ausência de recuperação posterior sugere que os responsáveis pelo santuário não sobreviveram aos ataques militares ou nunca puderam retornar ao local sagrado.
Após a identificação inicial, o acervo completo foi adquirido pelo governo francês e transferido para a capital do país. Hoje, os objetos integram a coleção permanente da Biblioteca Nacional da França , garantindo sua conservação adequada em um ambiente devidamente controlado e seguro.
Recentemente, o conjunto passou por um meticuloso processo de restauração conduzido por especialistas internacionais. Relatórios documentais do Getty Conservation Institute detalham as técnicas avançadas aplicadas para remover a corrosão secular, revelando novamente o brilho original e os detalhes artísticos da prataria clássica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.