Flávio Bolsonaro prometeu à elite da Faria Lima um novo teto de gastos
No jantar com a elite do mercado financeiro em São Paulo, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) prometeu acabar com o arcabouço fiscal e estabelecer um mecanismo de controle de gastos públicos, "mais simples", similar ao teto de gastos estabelecido durante a presidência de Michel Temer.
De acordo com o relato de dois participantes, a mensagem de Flávio ao petit comité dos chefes dos maiores bancos privados do país e de gestoras de investimentos foi que a eleição é a disputa de dois projetos diferentes de país e que o dele, não o do PT, tem compromisso em endereçar a questão fiscal.
O jantar foi organizado por Eduardo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e sócio da gestora QMS Capital, em seu apartamento no Itaim Bibi (zona oeste de São Paulo).
Entre os convidados presentes estiveram o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, os presidentes do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, e do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain.
O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, atualmente ocupando o cargo de vice-presidente do conselho de administração do Nubank, também estava no evento.
Além deles, segundo apurou o UOL, também estiveram no encontro: Daniel Goldberg (Lumina), o ex-ministro da Casa Civil Pedro Parente (eBC Capital), José Galló (ex-Lojas Renner), Fábio Carvalho (Abril), Richard Gerdau (Gerdau), segundo o UOL conseguiu confirmar.
Flávio disse que usará a transição ou o início do governo, com alto capital político, para aprovar um mecanismo de ajuste.
Na fala, ele ecoou uma das críticas mais frequentes à gestão econômica de Lula 3, que é a pouca credibilidade do arcabouço fiscal para conter o crescimento da despesa do governo dado o grande número de exceções.
O jantar desta quinta refletiu uma mudança de humor da Faria Lima com a candidatura do presidenciável do PL.
No relato de um dos convidados, que falou sob a condição de não ter o nome revelado, em julho quase ninguém do mercado financeiro queria receber o candidato porque ainda duvidava que a candidatura de Flávio pudesse ameaçar Lula.
O que mudou de lá para cá, segundo esse convidado, foi o resultado dos trackings, pesquisas diárias feitas pelas instituições financeiras que mostraram a competitividade do senador do PL.
No último Datafolha, registrou 43% ante 47% de Lula no segundo turno. Ou seja, ele tem se mostrado resiliente — sobreviveu às crises provocadas pela revelação de um pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse e ao racha público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sem despencar junto ao eleitorado.
Mas, conforme o UOL apurou, um dos temas mais discutidos antes e depois da chegada do candidato foi o crescimento da inadimplência nas famílias. Bancos têm dados precisos do tamanho do problema, como a entrada de clientes assalariados no limite do cheque especial mais cedo do que no passado.
Flávio chegou à casa de Kayath acompanhado da sua principal assessora econômica, Daniella Marques.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.