Relembre entrevista com Lejeune Mirhan: ‘Estou preparado para uma terceira guerra, não para uma nuclear’
Lejeune Mirhan – 25 de novembro de 1979. Garoava forte sobre o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde centenas de pessoas esperavam o desembarque de João Amazonas , que voltava do exílio depois da anistia .
À frente da comissão de recepção estava Diógenes Arruda Câmara , um dos dirigentes que haviam reorganizado o Partido Comunista do Brasil em 1962, preso e torturado em 1968, exilado em 1972, de volta ao país havia poucas semanas.
Um estudante de vinte e dois anos aproximou-se do carro onde Arruda já estava sentado, no banco da frente, com Amazonas atrás. O vidro desceu por causa da chuva. Arruda o chamou pelo nome de guerra e apontou um companheiro na multidão: “Camarada Mato Grosso, aquele é o camarada José Novaes”. Mandou que o levasse em segurança até o Sindicato dos Metalúrgicos.
Foi a última ordem que Diógenes Arruda deu a alguém. No trajeto entre o aeroporto e o sindicato, o coração dele parou. O registro do CPDOC é seco: parada cardíaca, São Paulo, 25 de novembro de 1979, quando recebia João Amazonas em Congonhas.
O rapaz cumpriu a ordem, chegou ao sindicato e encontrou a notícia. Falou aos companheiros naquela noite. A caravana de Campinas voltou para casa; ele ficou. Levou o caixão no ombro até a beira da cova e ali permaneceu.
Na clandestinidade partidária, esse estudante assinava Diógenes. Havia escolhido o codinome por admiração, antes mesmo de conhecer pessoalmente o homem cujo caixão viria a carregar.
Mato Grosso era o outro nome, o que os companheiros usavam e o que Arruda usou. Vinha de Corumbá, que ainda pertencia ao Estado de Mato Grosso quando ele nasceu, em 1956. O estado do Sul só existiria no fim da década seguinte.
Dois anos e meio antes daquela garoa, em 5 de maio de 1977, quinze mil estudantes atravessavam o Viaduto do Chá gritando por liberdades democráticas quando a Polícia Militar lançou bombas de gás lacrimogêneo sobre as primeiras fileiras.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.