O encontro de Celso Amorim com Wang Yi, chanceler da China
O assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República, Celso Amorim , reuniu-se na quarta-feira (16) em Beijing com o chanceler chinês Wang Yi e entregou uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao líder chinês Xi Jinping.
No documento, Lula destacou a importância estratégica da cooperação bilateral e acenou para parcerias em inteligência artificial, minerais críticos e terras raras.
A visita ocorre em um momento de afunilamento eleitoral no Brasil e de tensões acumuladas com os Estados Unidos, configurando uma aposta clara do governo federal na diversificação de alianças estratégicas.
Missão diplomática em Beijing Celso Amorim chegou à capital chinesa como emissário direto de Lula e entregou pessoalmente ao chanceler Wang Yi a carta presidencial endereçada a Xi Jinping.
Segundo informações do Itamaraty, o documento elogia a relação bilateral e destaca a importância estratégica da cooperação entre os dois países, com menção explícita a setores como inteligência artificial, minerais críticos e terras raras.
A carta também aborda a convergência entre os projetos de desenvolvimento nacionais do Brasil e da China e a possibilidade de ampliar a cooperação vinculada a essas agendas.
Além da entrega da carta, o encontro entre Amorim e Wang Yi foi substantivo.
Os dois discutiram a relação bilateral em suas dimensões econômica e tecnológica, debateram os conflitos em curso na Ucrânia e no Oriente Médio e conversaram sobre o papel do BRICS como fórum de articulação entre países do Sul Global.
A visita a Beijing foi a etapa final de uma rodada diplomática que incluiu passagens por Paris e Nova Délhi entre os dias 11 e 15 de setembro, onde França e Índia também foram sondadas como potenciais parceiras para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva de minerais críticos e terras raras.
O Brasil não possui acordos formais com a China para desenvolver uma cadeia produtiva de terras raras, mas o país asiático ocupa posição central em qualquer estratégia brasileira para o setor.
A China controla mais de 90% do processamento mundial de terras raras, o que a torna um parceiro incontornável para qualquer nação que queira avançar nessa cadeia com velocidade e escala.
O foco das conversas entre Amorim e Wang Yi foi justamente a agregação de valor: não apenas exportar o mineral bruto, mas desenvolver capacidade produtiva e tecnológica no Brasil.
Na área de inteligência artificial, Brasil e China discutiram o desenvolvimento de sistemas de código aberto, com ênfase em critérios éticos e de inclusão, segundo a imprensa chinesa.
A pauta de minerais críticos e terras raras ganha urgência diante da corrida global por insumos essenciais à fabricação de equipamentos eletrônicos, veículos elétricos e tecnologias de transição energética.
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