Cisjordânia: ONG israelense B'Tselem denuncia um 'projeto de eliminação' dos palestinos
"Projeto de eliminação": é assim que a B'Tselem intitula o relatório que divulgou nesta segunda-feira (14). Em três anos, mais de 1.000 palestinos morreram na Cisjordânia, entre eles 242 crianças. Para a ONG israelense, não há mais dúvidas: os três milhões de palestinos dos territórios ocupados vivem sob um regime que a organização classifica como apartheid.
A ONG israelense de direitos humanos B'Tselem afirma que as ações de Israel na Cisjordânia ocupada fazem parte de um projeto mais amplo destinado a tornar impossível que os palestinos continuem existindo como povo. Em relatório intitulado "O Projeto de Eliminação", a organização identifica cinco mecanismos que, segundo ela, atuam de forma conjunta: violência, limpeza étnica, restrições à circulação, estrangulamento econômico e destruição social e política.
Segundo a B'Tselem, a Cisjordânia vive atualmente uma ofensiva israelense que estaria desmantelando, de maneira sistemática e acelerada, as bases da existência palestina.
O relatório aponta a violência de colonos e das forças militares israelenses contra palestinos. Segundo uma contagem da AFP baseada em dados do Ministério da Saúde palestino, 1.108 palestinos, civis e combatentes, foram mortos na Cisjordânia desde 7 de outubro de 2023.
A organização também utiliza o termo "limpeza étnica" para descrever o deslocamento de dezenas de pequenas comunidades palestinas isoladas, que teriam sido obrigadas a abandonar suas localidades devido à violência ou à demolição de suas casas.
A B'Tselem denuncia ainda as restrições à circulação impostas por postos de controle militares e por mais de 900 portões instalados por Israel nas entradas de cidades e vilarejos palestinos.
"Juntos, esses mecanismos desmantelam as condições necessárias para que os palestinos continuem vivendo aqui como um povo", afirmou Yuli Novak, diretora-executiva da B'Tselem, durante uma entrevista coletiva em Jerusalém.
A ONG também classifica a política israelense de "projeto colonial de povoamento". Porém, "chamar isso de projeto colonial de povoamento não nega a ligação judaica com esta terra. Descreve um projeto político", avalia Novak.
O relatório reúne episódios individuais e políticas aplicadas na Cisjordânia e em Gaza para sustentar a tese de que fazem parte de uma política estatal mais ampla.
O Exército israelense rejeitou categoricamente as acusações. Em comunicado, afirmou que qualquer alegação de que pretende "eliminar os palestinos como povo" é "falsa, infundada e totalmente desligada da realidade".
O Exército declarou ainda condenar "nos termos mais fortes" os episódios de violência de caráter nacionalista na Cisjordânia e rejeitou qualquer afirmação ou insinuação de que esteja perseguindo ou tendo como alvo a população palestina.
A B'Tselem, por sua vez, considera que o sistema está profundamente enraizado na sociedade e na política israelenses e que as eleições legislativas previstas para outubro terão pouco impacto sobre essa política.
"Este governo não criou o projeto.
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