Segurança filmou local após espancar homem em Copacabana: 'Não tem câmera'
Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× O segurança Davi Santos Machado, preso pela morte de Cláudio Rafael Landeiro em Copacabana, retornou e filmou o local do crime horas após o espancamento para verificar se havia câmeras de segurança.
Um vídeo encontrado no celular de Davi mostra que ele esteve na rua Felipe de Oliveira, onde ocorreu o linchamento. As imagens foram registradas ainda na madrugada de 12 de agosto, quando Cláudio já tinha sido socorrido.
No vídeo, Davi fala de maneira ofegante e tenta tranquilizar alguém, como se quisesse mostrar que não havia câmeras de segurança na área. "Foi aqui. Ó, câmera, não tem câmera aqui, para tu ver, não tem câmera. Tá virada para lá. Foi aqui".
Imagens estão sendo analisadas pela 12ª DP (Copacabana). O material, cedido ao UOL , faz parte das investigações sobre a morte de Cláudio Rafael, espancado após ser acusado de ter roubado uma bicicleta que, segundo a família, pertencia à irmã dele.
Dias depois, Davi foi à delegacia pedalando a bicicleta da vítima. Na segunda-feira passada, o segurança chegou à 12ª DP para prestar depoimento na bicileta que tomou de Cláudio na noite do crime. Em imagens obtidas pelo UOL , ele surge com a bicicleta em frente a viaturas policiais.
Na primeira oitiva, Davi negou envolvimento no crime. Ele disse que apenas abordou a vítima e deu um soco em seu braço. Porém, após a polícia encontrar vídeos do espancamento, Davi mudou a versão e admitiu ter desferido mais de 30 pauladas com um porrete na cabeça de Cláudio.
Segurança disse que agiu por "instinto" e chamou crime de "ato insano". No segundo depoimento, Davi afirmou que não havia informação concreta de que a bicicleta fosse roubada e que não soube explicar o que o levou a agir daquela forma.
Além de Davi, a Justiça manteve a prisão temporária de três outros detidos por homicídio triplamente qualificado. Davi e Jorge Luiz Ricardo Dias tiveram as prisões mantidas no sábado, enquanto os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva passaram por audiência de custódia ontem.
Polícia ainda tenta identificar quinto envolvido no crime. Trata-se do homem que aparece dando um chute na cabeça da vítima.
Cláudio Rafael foi espancado na madrugada de 12 de agosto, após ser confundido com um ladrão. Ele saiu de casa em Botafogo por volta das 22h30 do dia anterior, de bicicleta. Abordado pelo segurança na rua Barata Ribeiro, foi levado até a rua Felipe de Oliveira, onde foi agredido com socos, chutes e pauladas durante cerca de sete minutos.
Bicicleta que homens suspeitavam ser roubada era de uma das irmãs de Cláudio. "Ele abordou meu irmão e supôs que ele era um ladrão, agrediu ele e deixou que outros homens o levassem para a rua Felipe de Oliveira, uma rua escura, para matá-lo", disse Fabiana Landeiro, uma das irmãs da vítima, em vídeo publicado nas redes sociais.
Vítima morreu por traumatismo craniano, hemorragia interna e lesão de baço e rim. É o que aponta o laudo, enviado pelo Instituto Médico Legal (IML) ao UOL .
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