Irã desarticula célula que preparava atentados no país e acusa Israel e EUA
Segundo a emissora Press TV , emissora estatal iraniana, a operação que levou à prisão envolveu a Base Quds das Forças Terrestres do IRGC e a Organização de Inteligência do IRGC na província. As forças iranianas afirmaram ter apreendido armas, munições, explosivos e equipamentos de comunicação.
As autoridades iranianas acusaram a célula de manter vínculos com Israel e os Estados Unidos e de receber apoio de países árabes do Golfo. Essas alegações, porém, foram apresentadas pelo próprio aparato de segurança iraniano e não foram acompanhadas, nas informações divulgadas, por evidências independentes que permitam confirmá-las.
A notícia sobre a prisão também foi divulgada pela agência IRNA , órgão oficial iraniano, e pela agência Tasnim , ligada ao IRGC. Uma publicação da agência ABNA , que também reproduziu a informação, afirma que os dois integrantes mortos em 6 de agosto pertenciam à mesma equipe cujo terceiro integrante foi preso oito dias depois.
O episódio ocorre em meio a uma sequência de operações das forças de segurança iranianas contra grupos armados no Sistão-Baluchistão. Na quinta-feira (13/8), a Tasnim informou que o Ministério da Inteligência do Irã havia desmantelado duas células que classificou como “terroristas-takfiris”.
Segundo a agência, quatro pessoas foram presas e duas morreram em confrontos separados. As autoridades afirmaram que os grupos tinham ligação com serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel e planejavam ações de sabotagem contra estruturas econômicas e de infraestrutura.
Os dois episódios, contudo, não devem ser tratados como uma única operação. A informação divulgada nesta quinta-feira (13/08) partiu do Ministério da Inteligência e se refere a duas células; a prisão anunciada no dia seguinte foi atribuída ao IRGC e está relacionada, segundo as autoridades, a uma equipe cujos outros dois integrantes haviam sido mortos em 6 de agosto.
O Sistão-Baluchistão, fronteiriço com Paquistão e Afeganistão, é uma das regiões mais instáveis do Irã. A província é majoritariamente habitada por balúchis, grupo étnico cuja população local é predominantemente sunita, em contraste com a maioria xiita do país. Organizações de direitos humanos e grupos oposicionistas denunciam há anos discriminação econômica, política e religiosa contra a população balúchi.
A região também abriga grupos armados que realizam ataques contra forças de segurança iranianas. Entre eles está o Jaish al-Adl (Exército da Justiça), organização sunita balúchi considerada terrorista pelos Estados Unidos.
De acordo com o Centro Nacional de Contraterrorismo norte-americano (NCTC), o grupo atua principalmente no Sistão-Baluchistão e nas áreas de maioria balúchi do Afeganistão e do Paquistão.
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