Centenário de Gian Carlo Gasperini evoca história da casa Auroras, no Morumbi
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O modernismo brasileiro já era consagrado internacionalmente em 1957, quando a casa que abriga o espaço Auroras, na zona Sul de São Paulo, foi projetada pelo arquiteto Gian Carlo Gasperini . Uma das primeiras construções naquela rua do Morumbi, a casa foi idealizada para Carlos e Vera Rangel, mas foi vendida poucos anos depois para a família de Ricardo Kugelmas, idealizador do espaço Auroras, inaugurado em 2016.
Na época, Kugelmas havia voltado para o Brasil após viver em Nova York e pediu à sua mãe para assumir o imóvel, que estava vazio há dez anos. Ele define o espaço como "o meio do caminho entre uma instituição e uma galeria". O nome Auroras vem de uma mostra de Tunga intitulada "Quase Auroras" , organizada pela galeria Millan em 2009.
A intenção de Ricardo é conectar artistas internacionais e nacionais. Passaram pela casa obras de Carmela Gross e Antonio Dias , assim como Renée Green e Suzanne Jackson. "Não é o que vai vender. O colecionador não vai comprar Tom Burr, artista gay, conceitual americano. O colecionador brasileiro quer um espelho do Anish Kapoor . A programação do Auroras sempre foi pautada no que é legal ser mostrado para a comunidade. Do público do Auroras, 99% são artistas. Vem pouco colecionador."
A porta de entrada da casa dá para um hall onde uma escada divide os ambientes inferior e superior. Na parte mais baixa, a antiga sala se torna um amplo espaço com iluminação natural abundante que dispensa lâmpadas para as obras em dias claros. Aberta para um quintal com piscina, fica evidente o diálogo entre o que um dia foi um espaço íntimo familiar e agora serve de suporte para o público.
No pavimento intermediário, o antigo jardim projetado por Gasperini foi transformado ainda nos anos 1970 em uma biblioteca com mobiliário de madeira, que agora está aberta à visitação. O acervo bibliográfico é fruto de doações da antiga editora Cosac Naify , além de contribuições de artistas, pesquisadores e instituições. No andar superior, os quartos e a sala de TV funcionam como extensão das exposições e como hospedagem eventual para artistas.
Gasperini , morto em 2020, completaria neste ano seu centenário. Nascido em Nápoles, na Itália, iniciou ainda jovem sua carreira no Brasil, contribuindo com toda uma geração de arquitetos brasileiros e imigrantes, em um período de intensa efervescência da arquitetura nacional.
Ainda nos anos 1950, sua parceria com o franco-brasileiro Jacques Pilon resultou nos edifícios residenciais Pauliceia, na avenida Paulista , e São Carlos do Pinhal, voltado para a rua de trás. "O Gasperini tem uma fase muito influenciada pelo Affonso Reidy, já com essa questão do Brasil. O próprio edifício Pauliceia tem alguma coisa de arquitetura carioca", diz o crítico de arquitetura e editor Fernando Serapião.
Com Salvador Cândia, projetou a Galeria Metrópole . Em carreira solo, produziu residências como a casa que abriga o Auroras e edifícios como o Credicard Hall . Mas é nos anos 1960 que uma das relações mais importantes de sua trajetória se consolida.
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