Vitória de Flávio legitimaria a direita na América Latina, diz analista
O resultado do primeiro turno nas eleições presidenciais brasileiras geraram um clima de entusiasmo entre governos de direita e extrema direita na América Latina. O presidente da Argentina, Javier Milei, parabenizou o candidato Flávio Bolsonaro em suas redes sociais "pela eleição histórica contra o comunista Lula" . O chefe de Estado colombiano, Abelardo De la Espriella, empossado no início de agosto passado, transmitiu ao vivo uma chamada de vídeo feita ao candidato do Partido Liberal (PL) que durou cerca de 20 minutos. O presidente colombiano, que se declarou ateu em diversas oportunidades, afirmou que "meu coração está com o Brasil, que Deus se compadeça do país irmão como se compadeceu da Colômbia. A verdadeira mudança é derrotar a esquerda."
Na avaliação da analista política colombiana Sandra Borda, professora da Universidade dos Andes e integrante do Conversatório Latino-americano (Conlat, formado por centros acadêmicos do Brasil, Argentina, México e Colômbia), o entusiasmo dos governos de direita na região tem uma explicação clara: a possibilidade de usar um eventual triunfo de Flávio Bolsonaro nas urnas para legitimar-se internamente, em momentos em que muitos desses governos enfrentam quedas de popularidade e dificuldades para entregar bons resultados.
A analista colombiana descartou ainda a possibilidade de que os Estados Unidos construam uma base militar em seu país, e afirmou que "sem resultados reais na segurança e na economia, o pêndulo voltará a se mover mais cedo ou mais tarde".
UOL: Existe uma expectativa enorme nos governos de direita da região diante da possível vitória de Flávio Bolsonaro no Brasil. Essa expectativa está justificada, no sentido de que representaria uma mudança verdadeiramente positiva para esses governos e para a administração de Donald Trump nos Estados Unidos?
Sandra Borda: Mais do que mudanças estruturais imediatas nos países governados pela direita ou extrema-direita na América Latina, uma vitória de Flávio Bolsonaro será utilizada, principalmente, como um potente elemento de legitimação política para outros presidentes da região. Pensemos no contexto atual: Abelardo De la Espriella, presidente colombiano, ganhou por uma margem muito estreita em seu país; José Antonio Kast enfrentou uma perda de popularidade expressiva no Chile; e o próprio Javier Milei, na Argentina, viu seus níveis de aprovação caírem bastante. Para esse bloco, o triunfo da direita em um gigante como o Brasil não é apenas uma boa notícia; é o escudo político de que precisam para validar suas próprias agendas internas.
UOL: Falando em escudo, especula-se muito no Brasil com uma eventual entrada do país no Escudo das Américas, lançado por Trump, do qual já faz parte a Colômbia. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro pode favorecer o escudo trumpista e sua aliança com governos de direita na região em matéria de segurança?
Sandra Borda: A realidade é muito diferente dos discursos. Falou-se muito, por exemplo, de supostas retiradas de fundos de assistência militar dos EUA destinados a países da Europa e da África para serem realocados à América Latina, mas isso não aconteceu.
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