Sem CEP no Vale do Silício, Ibovespa fica fora da festa da IA
Imagina duas festas acontecendo ao mesmo tempo, em cidades diferentes, com convidados completamente diferentes.
Uma delas é em Nova York, e a pauta da noite é inteligência artificial.
A outra é aqui, no Brasil, e o assunto é commodities.
Foi mais ou menos essa a sensação do mercado nesta quinta-feira (27).
A Nvidia entregou resultados que o mercado queria ver e alimentou a narrativa que vem sustentando boa parte do rali das bolsas americanas neste ano: a tese em inteligência artificial ainda tem gás (e muito).
As projeções da companhia foram bem recebidas e ajudaram a afastar, ao menos por ora, o temor de uma bolha no setor - ainda que a dúvida sobre o tamanho dos investimentos para sustentar esse crescimento continue no radar.
Por aqui, o Ibovespa também subiu, mas por outra história.
O índice fechou em alta modesta de 0,3%, aos 175.135 pontos, ampliando os ganhos na semana para 2,4% e reduzindo as perdas no mês para 1,6%. o Um índice que não fala a língua da IA Existe uma explicação simples para esse descompasso entre a bolsa brasileira e as americanas: o Ibovespa simplesmente não tem para onde direcionar o entusiasmo com a inovação.
A carteira teórica do índice local não conta com nenhuma ação de peso relevante em tecnologia, software ou semicondutores.
O nome mais próximo dessa tese é a Totvs, mas seu peso no índice é pequeno perto de gigantes como Vale, Petrobras e os grandes bancos, que juntos dominam boa parte da carteira.
Isso significa que quando a Nvidia sobe e arrasta o mundo todo atrás dela, o Ibovespa fica assistindo de fora.
Não porque o investidor brasileiro não queira participar, mas porque o índice, estruturalmente, não tem como surfar essa onda.
Para Raphael Figueiredo, estrategista de ações da XP, essa ausência do Brasil não é acidente, mas reflexo de um momento em que o mundo inteiro está com os olhos (e o dinheiro) fixos em um único lugar.
"O mundo está monotemático", resume.
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