Gêmeas siamesas que morreram tiveram parada cardíaca após serem separadas
As gêmeas siamesas Heloísa e Helena, de dois anos e sete meses, morreram após sofrerem paradas cardíacas quando já estavam separadas, durante a quinta e última cirurgia do tratamento.
As circunstâncias das mortes foram detalhadas hoje pela equipe responsável pela cirurgia, chefiada pelo médico Jayme Farina Jr. Mais de 50 profissionais de diferentes áreas participaram do processo de separação.
Uma das meninas ficou com a pressão arterial muito baixa, enquanto a outra apresentou pressão muito alta durante a cirurgia. A equipe decidiu acelerar a separação diante do desequilíbrio. Os médicos esperavam que, sem a circulação compartilhada, fosse possível estabilizar e tratar individualmente cada uma das crianças.
As duas, no entanto, pioraram quando o cirurgião informou que os corpos estavam separados e já não havia circulação em comum. A menina que estava com pressão alta passou a apresentar pressão baixa, enquanto a pressão da irmã caiu ainda mais.
Os médicos não conseguiram reverter a piora. A equipe afirmou que não conseguiu compreender completamente a intensidade da comunicação entre os organismos das duas crianças.
Helena sofreu uma parada cardíaca às 23h12 do último sábado (15). Os médicos realizaram manobras de reanimação durante 25 minutos, mas ela não respondeu. A morte foi declarada às 23h37.
Heloísa teve uma parada cardíaca 14 minutos depois da irmã, às 23h26. Ela também não respondeu aos 25 minutos de tentativas de reanimação e teve a morte declarada às 23h51.
Medicamentos e transfusões administrados em uma das meninas também produziam efeitos na outra. Em um dos exemplos citados pela equipe, uma transfusão feita em uma irmã elevava os níveis de hemoglobina da outra.
Esse tipo de comunicação também havia sido observado nos casos anteriores, mas de maneira menos intensa. Segundo os médicos, Heloísa e Helena apresentaram um comportamento diferente durante a última cirurgia, apesar de o procedimento ter sido planejado com base na experiência acumulada pela equipe.
A menor capacidade de reagir às alterações provocadas pela cirurgia pode ter contribuído para o desfecho. Um dos médicos comparou essa capacidade à resistência física de uma pessoa diante de um esforço e afirmou que as meninas tinham pouca "reserva" para enfrentar adversidades.
Heloísa e Helena eram mais frágeis que as gêmeas siamesas atendidas anteriormente pelo hospital. Elas tinham episódios frequentes de pneumonia e precisavam de traqueostomia para respirar e de gastrostomia para se alimentar.
Permanecer unidas também representava riscos para a sobrevivência e a qualidade de vida das irmãs. Segundo os médicos, as crianças permaneceriam acamadas e não conseguiriam desenvolver musculatura para ficar em pé.
A família queria que as meninas fossem separadas. Após as mortes, o pai agradeceu o empenho da equipe e disse aos médicos saber que tudo havia sido tentado.
A separação foi planejada durante mais de um ano e ocorreu na quinta cirurgia do processo. Nas primeiras etapas, os médicos desligaram gradualmente os vasos sanguíneos que ligavam os cérebros, em parcelas de aproximadamente 25%.
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