Laura Cardoso usou a sua voz para narrar nuances do humano
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Doutor em teledramaturgia pela Universidade de São Paulo e autor de 'A Hollywood Brasileira: Panorama da Telenovela no Brasil'
"A voz! A voz! É por aí que eu encontro a minha personagem. Depois, eu vou compondo com as informações do autor e com a minha observação sobre a vida." Exatamente assim, com vivacidade espantosa, Laura Cardoso definiu a linha básica da criação de suas personagens, num aniversário de Walther Negrão , o autor que delegou a ela grandes papéis de novelas na Globo .
A carreira iniciada como atriz de radionovelas em importantes produtoras da época foi a base para a jovem começar a trabalhar as mais diferentes personagens, tendo como único recurso técnico —e emocional— "a voz".
Ao mesmo tempo, ela se dedicou às encenações de drama em circos —costumeiras nos idos de 1940— e ao teatro infantil. Voz e gestualidade moldariam a solidez de sua interpretação, sintetizando de maneira brilhante a totalidade para a composição de personagens, como bem nos mostra o mestre Jean-Jacques Roubine em seu livro "A Arte do Ator".
O acréscimo de todos os instrumentos necessários para a excelência da arte dramática viria com a chegada de um novo veículo ao Brasil, a televisão. Assim, a atriz passou a integrar os mais variados teleteatros.
Além do "Grande Teatro Tupi", há que se destacar sua presença na "TV de Vanguarda" e na "TV de Comédia", num celeiro que serviria de base para a construção da telenovela, ao vivo, a partir de 1951, e diária, com a chegada do videotape no início da década de 1960.
E o novo gênero ou formato logo contou com talento emergente de Laura Cardoso. "Quando o Amor É Mais Forte", texto argentino, foi a estreia da atriz nas telenovelas, em 1964, na Tupi.
Na Excelsior, emissora que despontava com produções gigantescas, conheceu o paroxismo do melodrama com "Abnegação", de Dulce Santucci. A personagem Gilda era uma síntese dos preceitos do mais tradicional folhetim. E a atriz, recorrendo a todas as ferramentas necessárias ao trabalho do ator, em momento algum perdia a essência da mulher abnegada em nome do amor.
No mesmo ano, participou da primeira produção da TV Bandeirantes, "Os Miseráveis", adaptação de Walther Negrão para o romance de Victor Hugo. Em 1970 e 1971, integrou o elenco de dois grandes sucessos da TV Record, "As Pupilas do Senhor Reitor" e "Os Deuses Estão Mortos", ambas de Lauro César Muniz .
De volta à Tupi, foi destaque em "Ídolo de Pano", estrondoso sucesso de Teixeira Filho, e em "Ninho da Serpente", de Jorge Andrade, primorosa produção da Band.
Com sua densidade emocional, a atriz brindaria com sua presença o teatro, no papel da intensa personagem Dolor, de "Vereda da Salvação", remontagem de 1993.
Sua chegada à Globo, em 1981, foi por intermédio do diretor Daniel Filho , que estava à frente da novela "Brilhante", de Gilberto Braga .
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