Há 20 anos, repórter da Globo era sequestrado pelo PCC em São Paulo
A madrugada do dia 13 de agosto de 2006 cravou um divisor de águas inédito e estarrecedor na relação entre o crime organizado, o Estado e a imprensa no Brasil.
Em um movimento que desafiou abertamente as instituições republicanas e paralisou os bastidores do maior grupo de comunicação do país, a TV Globo interrompeu sua programação regular para transmitir um manifesto em formato de vídeo produzido pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) .
Na tela, lida pelo repórter César Tralli antes da exibição da fita fornecida pelos criminosos, uma mensagem grave expôs o ápice da ousadia da facção criminosa paulista: a vida de um jornalista mantido em cativeiro dependia da veiculação daquela propaganda violenta contra o sistema penitenciário.
Para compreender a dimensão do sequestro do repórter Guilherme Portanova e do auxiliar técnico Alexandre Calado , é preciso retroceder aos primeiros meses daquele ano atípico e sufocante.
Em maio de 2006 , São Paulo viveu o que ficou conhecido como a maior onda de ataques coordenados da história da segurança pública nacional.
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