Debêntures perdem espaço e fundos imobiliários e ações crescem em julho
O mercado de capitais fechou julho com R$ 67,9 bilhões em emissões, 4% acima do valor do mesmo período do ano passado, mas com um perfil bem diferente, marcado pela aversão ao risco.
Enquanto as debêntures perdem espaço, operações estruturadas, com mais garantias e diversificação, ganham a atenção de investidores, emissores e gestores.
Já as ofertas de ações voltaram, mas na forma de ofertas subsequentes, de empresas que já estão no mercado, conforme dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
As debêntures seguem sendo as estrelas do mercado, com R$ 33,1 bilhões emitidos em julho, ou 48,8% do total captado no mês, mas quase um terço, ou 28,7%, abaixo dos R$ 46,4 bilhões do mesmo mês de 2025.
Pesam sobre os papéis as recentes recuperações extrajudiciais e judiciais de grandes empresas, que assustaram os investidores e gestores, os juros altíssimos dos títulos de longo prazo do Tesouro, que puxam também os papéis privados, e a incerteza com o cenário econômico diante da eleição presidencial.
Os Fiagros, apesar de todos os problemas de inadimplência do setor, captaram R$ 145,3 milhões, quase o triplo dos R$ 54,2 milhões do mesmo período de 2025.
Já os fundos estruturados continuaram atraindo os investidores, com destaque para os fundos imobiliários, ou FIIs, que atingiram R$ 11,7 bilhões em ofertas encerradas, mais de três vezes os R$ 3,4 bilhões de julho do ano passado e o maior volume mensal do ano.
Leia também Sangria vai longe? Bolsa brasileira é emergente com maior peso em fundos globais Levantamento do UBS com cerca de 220 fundos mostra que o Brasil tem a maior fatia no universo emergente, com participação estrangeira perto de máximas históricas Os fundos de recebíveis, ou FIDCs, atingiram R$ 6,7 bilhões no mês, 16,7% mais que em julho de 2025.
Os Certificados de Recebíveis Imobiliários movimentaram R$ 1,8 bilhões, queda de 48,9%, e os CRAs, do Agronegócio, R$ 776,8 milhões, retração de 66,7% sobre o ano passado.
A renda variável voltou a ser destaque, com ofertas subsequentes de R$ 9,6 bilhões em julho, ante apenas R$ 400 milhões em julho do ano passado.
“A ausência de IPOs (ofertas iniciais de ações) não significa falta de atividade na renda variável”, afirma Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima.
Segundo ele, o volume de “follow-ons” mostra que as companhias continuam encontrando janelas para captar recursos e que o mercado continua receptivo a operações de companhias já listadas.
Maranhão também destaca o crescimento dos fundos imobiliários, que têm ganhado tração ao longo do ano, também com a procura de fundos de investimentos, “que têm enxergado a categoria como uma boa opção de diversificação”.
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