PF não acusou PGR de perder provas da trama golpista
Publicações nas redes sociais enganam ao afirmar que a Polícia Federal acusou a PGR (Procuradoria-Geral da República) de perder aparelhos eletrônicos apreendidos durante as investigações do processo que terminou com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros 28 réus por uma tentativa de golpe de Estado .
O vídeo utilizado nos conteúdos desinformativos é de junho de 2025 e faz referência à ação que responsabilizou ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal por envolvimento nos atos do 8 de janeiro. Além disso, a imprensa não noticiou denúncias do tipo envolvendo PF e Procuradoria.
Um vídeo sobreposto pelo letreiro "PF disse que a PGR perdeu provas do processo da trama golpista" mostra um interlocutor relatando a suposta denúncia feita pelos policiais.
A legenda do vídeo exibe o seguinte texto: "A Polícia Federal diz que PGR perdeu celulares e notebook dos investigados no 08/01. Parece inacreditável, mas é verdade. A Procuradoria-Geral da República perdeu celulares e notebook de investigados na ação penal 2.417".
Vídeo não tem relação com trama golpista. O vídeo reproduzido nos posts foi originalmente publicado em junho de 2025 pelo advogado Jeffrey Chiquini. Na ocasião, a defesa dos réus do processo movido contra integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal por envolvimento na invasão do 8 de janeiro relatou ao STF que três aparelhos eletrônicos apreendidos na fase de investigação desapareceram. O tribunal cobrou explicações da Polícia Federal e da PGR na ocasião ( aqui ) e o episódio está relacionado à ação penal 2417, e não à 2668, que diz respeito à trama golpista ( aqui ).
Aparelhos foram localizados pela PGR . No mesmo mês, a Procuradoria-Geral da República informou ter localizado os dois aparelhos celulares e um notebook dos réus e disponibilizado os itens para devolução ( aqui ). O inquérito seguiu normalmente e foi concluído com a condenação de cinco ex-integrantes da cúpula da PM do Distrito Federal ( aqui ).
Autor não é advogado dos réus . No vídeo, Chiquini diz ter solicitado as provas extraídas dos celulares de seus clientes e sugere que a perda de provas sustentaria a anulação do processo. "Cadê o celular do meu cliente? E cadê todos os aparelhos que foram apreendidos?", afirma. Chiquini não consta, no entanto, como advogado de nenhum dos réus da ação penal em questão ( aqui ).
Imprensa não registrou denúncia da PF . Uma busca por eventuais notícias sobre o assunto ( aqui e aqui ) não trouxe resultados correspondentes ao que circula nos posts desinformativos, além de sites de checagens de fatos. Pela dimensão da investigação e das instituições envolvidas, o episódio teria sido noticiado por veículos de comunicação se fosse verdadeiro.
Viralização. Uma publicação no Instagram tem mais de 6.000 curtidas e 365 comentários. Posts com o conteúdo desinformativo também circulam no Facebook.
Siga UOL Notícias no O UOL Confere é uma iniciativa do UOL para combater e esclarecer as notícias falsas na internet. Se você desconfia de uma notícia ou mensagem que recebeu, envie para [email protected].
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.