Banir o Discord torna a internet mais segura? Especialistas respondem
Discord em um celular (Imagem: Shutterstock/Mijansk786) O Discord furou a bolha gamer e, no caminho, acabou virando também o terror de muitos pais.
A plataforma, criada para conversar enquanto joga, passou a abrigar comunidades que vão muito além de partidas de videogame, incluindo os chamados “paneleiros”, grupos que se reúnem para praticar maus-tratos a animais, promover cyberbullying extremo e até chantagear crianças e adolescentes.
Com a sucessão de denúncias e casos envolvendo esses grupos, um alarme vermelho disparou em Brasília.
Nas últimas semanas, após uma jovem de 13 anos tirar a própria vida em uma transmissão no Discord , a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, pediu o banimento e o bloqueio imediato da plataforma no Brasil.
Como resultado, a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) determinou a suspensão temporária do recurso de transmissões ao vivo em vídeo (lives) e compartilhamento de tela .
A ação faz parte de um processo de fiscalização instaurado pela agência no dia 7, para apurar falhas na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Na ocasião, a ANPD esclareceu que não estava banindo a plataforma, mas sim suspendendo a funcionalidade Go Live, utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados.
Mas a decisão acendeu um debate ainda maior: banir o aplicativo de vez realmente resolveria o problema ou só faria mudar de endereço? Afinal, o que impede esses grupos de migrarem para outra plataforma em questão de minutos? Se o objetivo é proteger crianças e adolescentes, eliminar a ferramenta é o suficiente, ou só um paliativo para um mal muito mais profundo? Medida compreensível, mas insuficiente Para Marcelo Mattoso, advogado do BT Law com atuação em tecnologia, games, proteção de dados e regulação de plataformas digitais, a decisão da ANPD é compreensível diante da gravidade dos casos investigados, principalmente por envolverem crianças e adolescentes.
Segundo ele, a determinação de, pelo menos neste primeiro momento, não banir totalmente a plataforma e apenas suspender temporariamente recursos de vídeo e compartilhamento de tela é uma medida cautelar enquanto a plataforma é cobrada por medidas de proteção.
“Eu não acho que seja suficiente, mas é uma medida necessária nesse momento.
Isso pode ser revogado desde que a plataforma se adeque”, explica ao Startups .
O problema, segundo o advogado, é que desligar esses recursos não desliga os criminosos.
O Discord continua permitindo interações por texto e voz, o que significa que os grupos podem simplesmente continuar suas atividades por outros caminhos — ou até mesmo em outras plataformas.
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