Como interpretar pesquisas de intenção de voto na véspera do 2º turno?
A cada pleito, voltamos a nossa atenção para o que as pesquisas de opinião projetam para o dia da eleição.
No primeiro turno de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) terminou com 47,03% dos votos válidos e Lula (PT), com 45,16% — uma diferença de menos de dois pontos.
Com uma disputa tão apertada, o segundo turno de 25 de outubro trará de volta a discussão sobre as pesquisas, publicadas por vários institutos e produzidas com metodologias distintas.
Especialmente porque a ciência política tem procurado compreender como a divulgação de pesquisas eleitorais afeta a percepção de competitividade do pleito e a decisão dos eleitores de comparecer às urnas, precisamos entender melhor como devemos interpretar a intenção de voto e os problemas que devem nos preocupar.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Por exemplo, Morton, Muller, Page e Torgler (2015) demonstram que onde a votação ocorreu após a publicação das pesquisas de boca de urna na França, observou-se uma redução de 11 pontos percentuais na participação eleitoral e um incremento nos votos direcionados ao candidato apontado como vencedor nos territórios ultramarinos franceses.
As pesquisas de intenção de voto são uma ferramenta fundamental para a leitura do cenário político e do comportamento do eleitor.
Ao mesmo tempo, há fatores que limitam a profundidade a que podemos chegar com esses levantamentos no formato em que atualmente são divulgados pelos institutos.
O principal obstáculo é que precisamos avaliar essas pesquisas, seus planos amostrais e as metodologias de ponderação registradas no TSE baseando-nos exclusivamente em relatórios fechados, sem acesso aos microdados.
Qual é o problema disso? Os microdados são as respostas anonimizadas de cada pessoa entrevistada.
O acesso a esses dados serve não apenas para auditar os resultados e realizar cruzamentos, mas principalmente para destrinchar a aplicação das ponderações e aprimorar a ciência por trás das pesquisas.
Para mostrar o tipo de informação que podemos extrair dos microdados, vale a pena olhar para trás: em 2022, a eleição terminou com margem de menos de dois pontos de diferença entre Lula e Jair Bolsonaro.
Os microdados de algumas pesquisas de opinião realizadas em 2022 hoje estão públicos.
A título de exemplo, vamos focar nas duas últimas pesquisas de 2022 – realizadas na véspera do segundo turno da eleição – com dados disponíveis no CESOP: uma da Datafolha e outra do Ipec.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.