Semana da Mãe Preta destaca memória e ancestralidade em Salvador
A memória de mulheres negras que ajudaram a construir a história do Ilê Aiyê e abriram caminhos para novas gerações é o ponto de partida da Semana da Mãe Preta 2026.
Realizado desde 1979, o evento gratuito acontece nos dias 15, 16 e 18 de setembro, no Terreiro Axé Jitolu, no bairro Curuzu, em Salvador.
Nesta edição, com o tema “Mulheres Negras: Memória, Resistência e Ancestralidade”, a grande homenageada é Eugênia Lúcia, idealizadora dos Cadernos de Educação do Ilê Aiyê.
A programação reúne:Exposição fotográfica;rodas de conversa;mostra audiovisual;pocket show.A Semana conta com a curadoria das jornalistas e pesquisadoras Valéria Lima e Val Benvindo, netas de Mãe Hilda Jitolu, ialorixá fundadora do terreiro.
Em conversa com o portal A TARDE, elas deram detalhes sobre as novidades da edição.Para Valéria, participar da construção do evento representa um marco profissional e, sobretudo, pessoal, pois cresceu vendo o trabalho dos pais no projeto."É um marco enquanto pesquisadora e enquanto neta de Mãe Hilda Jitolú, poder contribuir dessa forma como evento, poder escolher a programação, pensar nos convidados, pensar em cada atividade, entendendo que a Semana da Mãe Preta é um dos primeiros eventos políticos do Ilê", disse.A escolha do mês de setembro remete à Lei do Ventre Livre, de 28 de setembro de 1871, que determinou que todos os filhos de mulheres escravizadas nascidos no Brasil desde a data, seriam considerados livres.
A memória do momento foi ressignificada pelo bloco.“O que o IIê faz é uma ressignificação da data e, a partir daí, vai cada vez mais valorizando a imagem de mulheres negras através da figura de Mãe Hilda", explicou Valéria.Homenagem a Eugênia LúciaA programação deste ano busca conectar a trajetória de mulheres que participaram da construção do Ilê Aiyê com questões que atravessam a vida das mulheres negras atualmente.
Desta forma, a homenageada é Eugênia Lúcia, idealizadora dos Cadernos de Educação do grupo.Para Valéria, reconhecer a trajetória da educadora segue a lógica de valorizar mulheres negras que contribuíram para a construção do movimento."Ela conviveu com Mãe Hilda e é uma figura que foi sendo esquecida ao longo do tempo, porque ela faleceu já tem muitos anos, mas a contribuição dela permanece.
Então, seguindo essa dinâmica de honrar a memória de mulheres negras que contribuíram para o movimento, para o cenário que a gente tem hoje, a gente faz essa justa homenagem a Eugênia Lúcia", afirmou Valéria.Val Benvindo também destaca a importância de Eugênia Lúcia para a educação antirracista.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.