Lula começa campanha onde iniciou trajetória política e vê queda em vantagem sobre Flávio
Imagem do documentário 'Peões', de Eduardo Coutinho, lançado em 2004 (Divulgação)
Faltavam dois dias para a posse de João Figueiredo, último presidente da ditadura militar que governou o Brasil por 21 anos, quando, a 1.000 quilômetros de Brasília, cerca de 60 mil pessoas se reuniram no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), para uma assembleia convocada pelos sindicatos dos metalúrgicos do ABC paulista. Era 13 de março de 1979, e o presidente do sindicato de São Bernardo e Diadema, Luiz Inácio Lula da Silva, de 33 anos, discursou de pé, sobre mesas de plástico colocadas no gramado e sem equipamento de som. A cada frase, o líder sindical precisava interromper o discurso para que suas palavras fossem repetidas pela multidão. Começava naquele dia uma greve geral que acabou em 12 de maio sem que todas as reivindicações dos sindicalistas fossem atendidas, mas que estabeleceu as bases de novas paralisações pelo país no ano seguinte, tornou Lula nacionalmente conhecido e, nas palavras do ex-metalúrgico e hoje presidente, "foi onde tudo começou".
Neste domingo, 47 anos, cinco meses e três dias depois do grande ato sindical na Vila Euclides, um Luiz Inácio de 80 anos volta ao estádio para lançar oficialmente sua sétima campanha presidencial. Lula chega à disputa para conquistar um quarto mandato tendo como principais rivais o antipetismo, que turbina sua rejeição — de 52%, segundo a pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto —; e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que a encarna e tende a ser seu rival em um eventual segundo turno. A rejeição do filho de Jair Bolsonaro é ainda ligeiramente maior, de 54%.
No ato que dá o pontapé inicial em sua campanha, Lula vai discursar para cerca de 20 mil militantes, capacidade máxima atual do estádio. A multidão não será mais formada por metalúrgicos, e sim por simpatizantes vindos em caravanas mobilizadas pelo PT.
Lula e a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, durante Convenção Nacional do PT, em 3 de agosto (Miguel Schincariol/AFP)
O simbolismo da volta à Vila Euclides contrasta com uma disputa muito mais apertada do que o petismo desejaria encontrar na largada oficial da campanha . A Quaest mostra Lula com 43% das intenções de voto em um segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que aparece com 40%. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. No primeiro turno, o presidente lidera, com 38%, contra 31% do senador bolsonarista. Em julho, Lula tinha 45% e Flávio, 37% na simulação de segundo turno, uma vantagem de oito pontos, segundo o mesmo instituto.
O cenário reforça uma avaliação recorrente entre aliados do presidente: Lula começa a campanha como favorito , mas sem a vantagem que se esperaria de um presidente que disputa a reeleição com indicadores econômicos favoráveis.
A economia oferece ao presidente alguns dos principais argumentos para pedir mais quatro anos no Palácio do Planalto.
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