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Flávio aposta em Trump, mas pode acabar isolado e visto como “fujão”, avalia especialista

A Tarde ·
Flávio aposta em Trump, mas pode acabar isolado e visto como “fujão”, avalia especialista

A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de se apresentar como presidente eleito do Brasil, mesmo após a derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode não produzir o efeito internacional esperado pelo senador.

A avaliação é do professor de Relações Internacionais Neuton Silva Neto, mestre em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutorando em Ciências Militares.Em carta divulgada nesta quarta-feira, 28, após deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos com a família, Flávio contestou o resultado eleitoral, alegou fraude sem apresentar provas e anunciou que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior.

Na primeira versão do documento, o senador se apresentou como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil".

Minutos depois, a frase foi retirada do texto republicado nas redes sociais.Para Neuton, a iniciativa não tem efeito jurídico sobre o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral brasileira.

O professor também avalia que a repercussão internacional tende a ser limitada, diante do reconhecimento da vitória de Lula por mais de 100 países, conforme a análise apresentada pelo entrevistado."Ele não possui poder, é uma autodeclaração sem validade jurídica.

O Brasil, dentro de sua autonomia e soberania, proclamou Lula presidente reeleito do Brasil, e isso é válido.

Ele não possui autonomia ou garantia de exercício de função com essa autodeclaração.

Nesse caso, é diferente de Guaidó por ter um reconhecimento maior da comunidade internacional.

Mas, quando foi esvaziado, Maduro retomou o posto sem grandes problemas."Professor aponta diferenças em relação à VenezuelaA carta de Flávio faz referência a Juan Guaidó, opositor venezuelano que se declarou presidente interino da Venezuela em 2019, após contestar a reeleição de Nicolás Maduro.

Na ocasião, Guaidó recebeu reconhecimento dos Estados Unidos durante o primeiro governo de Donald Trump e de dezenas de outros países, mas não conseguiu assumir o controle do Estado venezuelano.Na avaliação de Neuton Silva Neto, o cenário brasileiro apresenta diferenças importantes em relação à experiência venezuelana, sobretudo no que diz respeito ao reconhecimento internacional.

O professor considera que a iniciativa do senador não deve resultar, necessariamente, na criação de uma estrutura política com legitimidade externa equivalente à que Guaidó chegou a reivindicar."Então, eu acho que, assim... questão internacional, o reconhecimento de Lula permanece e vai sendo muito estabilizado.

Basicamente vai parecer mesmo que, ao invés de ele criar uma celeuma internacional, como foi o caso na época do Guaidó, ele vai ser mais um exilado, ele vai se autoproclamar um exilado, mas, para a comunidade internacional, pode parecer apenas como, sei lá, um fujão.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.

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