Inércia burocrática não isenta ente público de pagar pelo serviço
Magnific Inércia do município não pode prejudicar a empresa que prestou o serviço Falhas burocráticas da Administração Pública em liquidar despesas não podem ser justificativa para negar o pagamento pela prestação de serviço efetivamente comprovado.
Tal falha configuraria enriquecimento sem causa pelo ente público.
Com esse entendimento unânime, a 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que o município de Seropédica (RJ) pague cerca de R$ 153,2 mil a uma empresa.
O colegiado reformou a sentença da 2ª Vara Cível da Comarca de Seropédica.
A ação foi ajuizada por uma empresa de tecnologia para receber da municipalidade o valor de R$ 153.235,58 pelo fornecimento de software, consultoria e assessoria para gestão e cobrança de receita tributária.
Ocorre que mesmo depois da prestação dos serviços, a Administração Pública não liquidou as despesas relacionadas à empresa — isto é, não formalizou internamente a verificação de que o crédito era devido, etapa que antecede o pagamento e que cabe ao próprio ente público realizar (artigos 62 e 63 da Lei 4.320/1964 ).
A autora então ingressou na Justiça, mas o juízo da primeira instância rejeitou os pedidos, afirmando que a empresa não juntou prova suficiente para comprovar suas alegações.
A autora recorreu ao TJ-RJ, alegando error in judicando — erro na análise ou aplicação do direito —, uma vez que apresentou guias de arrecadação de ISS, atestado de capacidade técnica e nota de empenho.
Este último, sustentou a autora, por si só comprova o reconhecimento da obrigação pelo município.
A municipalidade argumentou que não havia comprovação do serviço e que a ausência de liquidação da despesa impediria o pagamento à empresa.
Omissão burocrática A relatora da apelação cível da empresa, desembargadora Maria Cristina de Brito Lima, considerou que os documentos apresentados pela autora bastaram para comprovar a prestação do serviço e o dever da Administração Pública de pagar o valor pedido.
Ela destacou que o atestado de capacidade técnica mencionava a implantação de sistemas pela empresa, além de citar outros serviços fornecidos pela autora.
Para a magistrada, o município não conseguiu refutar a veracidade dos documentos apontados pela empresa, mas limitou-se genericamente a negar a prestação do serviço e a possibilidade de pagamento em razão do entrave burocrático.
No entanto, segundo a desembargadora, a omissão no caso decorreu exclusivamente de ações do ente público, o que não pode servir como pretexto para eximir o município de cumprir sua parte do contrato.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.conjur.com.br — o conteúdo pertence a Consultor Jurídico.