Eventos de El Niño se tornaram 40% mais intensos nos últimos 40 anos
Um estudo de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, que examinou corais modernos e antigos nas Ilhas Galápagos, aponta que os eventos de El Niño se tornaram quase 40% mais fortes nos últimos 40 anos do que na era pré-industrial.
O levantamento foi publicado em 27 de agosto na revista Science.
O El Niño é um fenômeno natural que, a cada poucos anos, faz com que o Pacífico tropical fique mais quente do que o normal.
Desta vez, há previsão de formação de um "Super El Niño", uma versão muito mais forte e intensa do fenômeno climático.
As temperaturas médias da superfície dos oceanos atingiram o recorde histórico de 21,1°C, segundo o Serviço Copernicus, alertando para o superaquecimento das águas globais.
Esse valor supera o recorde anterior de 21,09°C, estabelecido em 1º de março de 2024.
Sob as condições de um El Niño, os ventos alísios (que sopram na linha do equador) enfraquecem, espalhando água quente para leste, em direção à América do Sul.
Em condições normais, esses ventos sopram no sentido oposto: de leste para oeste, levando a água aquecida do continente sul-americano em direção à Austrália.
"Não vemos um período no passado em que o El Niño tenha sido tão forte quanto hoje, e mostramos que a intensidade do El Niño muda em paralelo com o aquecimento da temperatura global", diz em comunicado a autora principal do estudo, Julia Cole , professora na Universidade de Miami, nos Estados Unidos.
"Nossas descobertas indicam que os grandes eventos de El Niño dos últimos 40 anos não são normais no contexto dos últimos mil anos." A previsão dos corais Os pesquisadores coletaram 13 amostras de corais novas e antigas.
A composição química dos corais, que secretam camadas de carbonato de cálcio e crescem de um a dois centímetros por ano, é um indício da temperatura da água do mar.
O estudo se concentrou nas amostras de núcleos dos corais que abrangiam pelo menos 20 anos, a fim de medir dois aspectos: a proporção dos elementos estrôncio para cálcio, que depende da temperatura em que o coral cresceu; e a proporção de isótopos de oxigênio, também uma medida da temperatura.
Com isso, a equipe observou que El Niños fortes ocorreram nos últimos 40 a 50 anos, enquanto os El Niños anteriores a esse período mostraram "um padrão bastante consistente de El Niños de menor intensidade".
"Fomos adicionando registros pensando: 'Bem, isso vai ficar mais complicado', mas na verdade não ficou", disse Cole.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.