Sinpro-DF acusa governo Celina de interferir no planejamento das escolas para elevar Ideb
O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) critica orientações que, segundo a organização, vêm sendo adotadas pela Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) do governo Celina Leão (PP) nas escolas públicas. Entre elas estão mudanças no calendário do ensino médio, distribuição de novos materiais pedagógicos, definição de atividades e acompanhamento das ações realizadas pelas unidades.
Em nota publicada na sexta-feira (18), o sindicato afirma que as iniciativas têm como objetivo melhorar os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) , mas questiona se as mudanças representam uma melhora efetiva da aprendizagem. A organização também critica o envio de materiais sem participação das escolas e a imposição de um cronograma às unidades.
“O envio de materiais para as escolas que não foram construídas com a participação delas, bem como a ingerência sobre atividades e imposição de um cronograma alheio a elas, revelam mais do que a completa falta de respeito com a escola, com gestores, com profissionais do magistério público. Revelam um projeto político que pretende atropelar a Educação pública como um rolo compressor”, afirma o Sinpro-DF.
No ensino médio, uma das medidas questionadas é a antecipação do encerramento do terceiro bimestre. Segundo o diretor do Sinpro-DF Samuel Fernandes, as escolas foram orientadas a lançar as notas até 25 de setembro e, depois disso, teriam cerca de 15 dias para reorganizar as atividades de reforço e recuperação.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Samuel classificou a atuação da secretaria como uma “intervenção” nas escolas. “Estamos vivendo um verdadeiro período de intervenção do governo nas nossas escolas. O governo de Celina Leão está atropelando o calendário escolar, o planejamento das escolas e o Currículo em Movimento. E o Alfaletrando foi deixado de lado, não serve mais”, afirmou Samuel.
O diretor também criticou o envio de apostilas e outros materiais acompanhados de cobranças, fiscalizações e prazos. Para ele, a estratégia prioriza a preparação dos estudantes para avaliações. “A intenção parece ser padronizar o ensino e preparar os estudantes para provas, desconsiderando o tempo e as necessidades de aprendizagem de cada aluno”, afirmou.
O Sinpro afirma que as apostilas não teriam sido produzidas pelas formadoras do programa Alfaletrando – de alfabetização e letramento de crianças – e que os conteúdos foram encaminhados às unidades sem discussão com os profissionais responsáveis pelo planejamento.
A atuação da Secretaria também foi questionada durante uma reunião com gestores realizada na sexta-feira (18), no auditório 2 da SEEDF. Segundo Samuel, representantes das unidades receberam orientações sobre as ações que deveriam ser desenvolvidas nas escolas.
De acordo com o diretor, a maioria dos gestores presentes manifestou preocupação com as mudanças e rejeição à interferência no planejamento das unidades.
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