El Niño testa lavouras, cidades e a capacidade de reação do poder público
A chuva que encharca o campo e invade as ruas coloca Mato Grosso do Sul diante de uma pergunta que nenhuma palestra responde sozinha: quanto dos alertas sobre o El Niño foi transformado em proteção para a população? Reuniões, previsões e comunicados têm importância.
Mas a eficácia da prevenção aparece em outro lugar: na estrada rural que continua transitável, na casa que não recebe enxurrada, na árvore que foi avaliada antes de cair e no serviço essencial que permanece funcionando durante uma tempestade.
O risco foi anunciado com antecedência.
Em setembro, o painel elaborado por instituições como Inmet, Inpe e Cemaden já indicava maior probabilidade de chuvas acima da média em parte de Mato Grosso do Sul, além da continuidade do El Niño até pelo menos o início de 2027.
Havia, portanto, informação disponível para orientar a preparação.
Cemaden/MCTI O fenômeno resulta do aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, capaz de modificar a circulação atmosférica e a distribuição das chuvas.
Em MS, seus efeitos variam: segundo a UFMS, o sul do Estado tende a receber mais precipitação, enquanto outras regiões podem apresentar comportamento irregular.
Isso exige cuidado ao analisar os estragos.
A presença do El Niño não permite atribuir automaticamente cada temporal ao fenômeno, nem esperar consequências iguais em todos os municípios.
UFMS No campo, água em excesso também pode significar prejuízo.
Solos encharcados dificultam o trabalho das máquinas e podem atrasar o plantio, comprometendo o calendário da produção.
Conforme a cultura e sua fase de desenvolvimento, chuvas persistentes favorecem doenças e dificultam a colheita.
A Ceasa/MS já alertou para possíveis perdas em frutas e hortaliças, obstáculos ao transporte e reflexos no abastecimento.
Ceasa MS O problema ultrapassa a porteira.
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