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Braskem: o que levou a petroquímica ao processo de recuperação extrajudicial?

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Braskem: o que levou a petroquímica ao processo de recuperação extrajudicial?

Depois da Casas Bahia ( BHIA3 ), o Brasil acordou com mais um caso de pedido de recuperação financeira de uma grande empresa brasileira, a Braskem ( BRKM3 ).

Dessa vez, no entanto, o quadro é mais complexo já que as dificuldades de uma companhia do setor petroquímico são bastante distintas daquelas vividas no setor de varejo.

Uma empresa de comércio, por exemplo, precisa manter uma estrutura de lojas e centros de distribuição.

Com isso, sua necessidade básica é de recursos para capital de giro e pagamento de fornecedores.

Mas, no caso de uma petroquímica gigante como a Braskem, a necessidade de capital é intensiva e fundamental para manter a produção.

Só para se ter uma ideia, nem o lucro de R$ 3,33 bilhões registrado pela maior petroquímica das Américas no segundo trimestre resolveu a fase mais aguda da crise financeira.

A decisão de recorrer à recuperação extrajudicial agora, para renegociar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, mostra que a expectativa pode ser bem diferente da realidade numa estrutura mais complexa, na qual o resultado positivo e a geração de caixa em um trimestre não significam, necessariamente, que a companhia tenha uma estrutura de capital sustentável.

No caso da Braskem, essa diferença é ainda mais gritante porque recuperar uma indústria petroquímica não significa apenas decidir quanto e quando os credores receberão.

A empresa precisa reduzir o peso da dívida sem consumir os recursos necessários para manter plantas industriais funcionando, comprando matérias-primas cotadas em dólar, realizar manutenção e investimentos.

Ao, mesmo tempo, tem de enfrentar as oscilações de um mercado internacional altamente cíclico, como o de derivados de petróleo.

Para especialistas ouvidos pelo InfoMoney, é justamente essa característica que torna a reestruturação diferente daquela enfrentada por empresas de setores como o varejo.

Uma rede varejista em crise pode fechar lojas deficitárias, reduzir estoques, renegociar aluguéis, cortar despesas e diminuir rapidamente sua estrutura.

Uma petroquímica possui uma engrenagem muito mais rígida, formada por plantas altamente especializadas, ativos bilionários, elevados custos fixos e investimentos que não podem simplesmente ser interrompidos sem comprometer a capacidade futura de produção e geração de caixa.

“Uma indústria petroquímica e uma varejista podem apresentar números de endividamento relevantes e, ainda assim, exigir diagnósticos completamente diferentes”, afirma Giulia Boer, advogada especialista em Direito Empresarial e Societário.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.

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