Recuperação extrajudicial da Braskem deixa quase 10 mil investidores de renda fixa em compasso de espera: vou receber meu dinheiro?
A recuperação extrajudicial apresentada pela Braskem (BRKM5) na segunda-feira (24) não preocupa apenas bancos e grandes fundos de investimento.
Ela também coloca sob pressão quase 10 mil investidores pessoas físicas que compraram títulos de dívida da petroquímica.
Um levantamento da Vitrify, plataforma de dados e inteligência para o mercado de crédito privado, mostra que a Braskem tem seis títulos de crédito privado ainda ativos no mercado, com saldo total de R$ 3,21 bilhões.
O volume é pequeno quando comparado aos mais de R$ 50 bilhões da dívida total da companhia que deve ser renegociada na recuperação extrajudicial.
Entretanto, trata-se de um saldo significativo diante da quantidade de recuperações de empresas brasileiras nos últimos meses.
Pelo menos R$ 914,1 milhões estão concentrados em dois Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) distribuídos principalmente para investidores de varejo.
LEIA TAMBÉM: De gigante petroquímica a uma dívida de US$ 11 bilhões: como a Braskem (BRKM5) chegou às portas da recuperação extrajudicial Na emissão original, as pessoas físicas ficaram com 95,5% da primeira série e 91,8% da segunda, segundo a Vitrify.
Foram 6.969 investidores em uma série e 2.915 na outra, somando quase 10 mil credores.
Além disso, pelo menos R$ 2,3 bilhões do saldo devedor da Braskem estão distribuídos em quatro debêntures: BRKMA6 , BRKMB6 , BRKMA8 e BRKMB8 .
A recuperação extrajudicial e a renda fixa Afinal, as debêntures e CRAs da Braskem entram na renegociação das dívidas? Ninguém sabe ao certo ainda.
O próprio relatório da Vitrify aponta essa como uma das principais informações que precisam de esclarecimento aos investidores.
A petroquímica informou o valor total das dívidas sujeitas à recuperação, mas não listou individualmente quais instrumentos financeiros entrarão na renegociação.
A maior parte (74%) dos credores da Braskem são bancos e grandes fundos de investimento internacionais, chamados bondholders , que compraram as dívidas em dólar da companhia.
Mais de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 36 bilhões) estão nas carteiras dessas instituições.
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