Possível saída da Venezuela amplia crise de influência da Opep
A influência da Opep sobre o mercado global de petróleo, construída ao longo de décadas, enfrenta novos sinais de desgaste.
A Venezuela, membro fundador da organização, tornou-se o segundo país em poucos meses a considerar uma saída do grupo.
As discussões em Caracas sobre deixar a entidade que ajudou a criar há mais de seis décadas, enquanto se aproxima cada vez mais dos Estados Unidos, podem ter impacto imediato limitado sobre a oferta global de petróleo, segundo traders de petróleo.
Ainda assim, a possível saída ocorre pouco depois da retirada dos Emirados Árabes Unidos e em meio a sinais de insatisfação do Iraque, outro membro da organização.
O movimento inevitavelmente levanta dúvidas sobre a capacidade da Opep, liderada pela Arábia Saudita, de permanecer unida e continuar influenciando os preços do petróleo.
Caso uma fragmentação se concretize, aumentam as chances de os integrantes passarem a competir entre si por clientes e participação de mercado, em uma possível repetição da breve, mas destrutiva, guerra de preços observada no início da pandemia, em 2020.
Mesmo que um conflito desse tipo seja evitado, uma Opep mais fragmentada teria consequências amplamente sentidas.
O mercado perderia um agente coordenador da oferta global, responsável por intervir quando surgem excedentes de produção.
Isso tornaria os preços do petróleo mais suscetíveis a quedas e aumentaria a exposição da indústria a choques.
Leia também Venezuela considera saída da Opep em meio a negociação com EUA por campos de petróleo Discussões entre Caracas e Washington incluem uma possível participação americana em campos petrolíferos, enquanto o país avalia abandonar o cartel que ajudou a fundar há mais de 60 anos Camex aprova prorrogação de imposto de exportação de petróleo As medidas conflitantes tornam incerto o futuro do imposto de 12%, que está sendo contestado pelas petrolíferas “A própria coesão e credibilidade da Opep podem estar em jogo”, afirmou Ali Al Riyami, ex-diretor-geral de marketing de petróleo e gás do Ministério de Energia de Omã, país que integra a aliança ampliada Opep+.
“A questão crítica é saber se isso marca o início de uma onda mais ampla de retiradas.” Nos últimos anos, a Opep e seus parceiros viram sua influência diminuir diante do avanço de concorrentes como os produtores de shale dos Estados Unidos, além de Brasil e Guiana.
Mais recentemente, a guerra envolvendo o Irã transformou sauditas e outros países do Golfo em meros espectadores, forçando cortes de produção.
Ao mesmo tempo, a China ganhou protagonismo como agente de equilíbrio do mercado, enquanto os EUA ampliaram suas exportações.
A influência da Rússia também foi reduzida após os impactos da guerra na Ucrânia sobre suas vendas externas.
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