Administradora judicial pede afastamento de gestores da Fictor
A recuperação judicial da Fictor ganhou um novo capítulo.
A Laspro Consultores, administradora judicial do grupo, manifestou-se favoravelmente ao afastamento de seis executivos, incluindo o fundador Rafael Ribeiro Leite de Góis, e à nomeação de um gestor judicial para assumir a condução das empresas.
O parecer foi apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo em 18 de agosto.
A medida atinge também Wagner Luiz dos Santos, Davi Rufino Montenegro, Renato Campos Amaral, Abelardo Sá Junior e Raul Alves Araujo Nascimento.
Entre os fundamentos, a Laspro aponta paralisia operacional, elevada interdependência financeira entre empresas do grupo e circulação de recursos sem destinação suficientemente esclarecida.
O afastamento já era defendido por 353 credores e havia sido cogitado pela própria administradora judicial em manifestação apresentada em julho.
O ponto mais sensível envolve as Sociedades em Conta de Participação usadas para captar recursos de investidores.
Segundo laudo pericial da Laspro, os rendimentos distribuídos não seriam provenientes da geração de valor das atividades operacionais, mas do ingresso de dinheiro de novos investidores.
A administradora cita ainda rentabilidades atípicas, estímulo ao reinvestimento e ausência de documentação que comprovasse o lastro de parte dos ativos anunciados.
A manifestação amplia a pressão sobre a atual administração da Fictor.
Em julho, a Laspro já havia pedido o afastamento caso o grupo não apresentasse documentos exigidos pela Justiça para esclarecer operações envolvendo empresas relacionadas.
Agora, a administradora judicial defende diretamente a destituição e a nomeação de um gestor judicial.
Caberá à Justiça decidir se os atuais executivos permanecerão no comando durante a recuperação judicial.
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