FAO reconhece duas brasileiras entre 100 mulheres que transformam o agro
A experiência de mais de seis décadas de Joana Rodrigues Mousinho na pesca artesanal em Pernambuco e o trabalho de Luena Maria Ferreira dos Santos, a Luena Pataxó, na organização de pescadores indígenas no sul da Bahia estão entre as trajetórias reconhecidas internacionalmente pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) nesta quinta-feira (15), em Roma, na Itália.
As duas brasileiras integram a lista das 100 mulheres homenageadas pela organização por sua contribuição aos sistemas agroalimentares e ao desenvolvimento rural.
Pescadoras artesanais, Joana, de 70 anos, e Luena, de 44, foram indicadas pelo Ministério das Mulheres e selecionadas em um processo que recebeu mais de 600 candidaturas de mais de 131 países.
A cerimônia ocorre durante o Fórum Mundial da Alimentação que, em 2026, celebra o Ano Internacional da Mulher Agricultora.
As histórias das pescadoras brasileiras se encontram na defesa da pesca artesanal, na organização de suas comunidades e na busca por maior participação das mulheres nas decisões que afetam seu trabalho e seus territórios.
Leia Mais Mulheres já são maioria entre formados em cursos ligados ao agronegócio Mulheres, mudanças climáticas e seguro: conheça as prioridades do Pronaf Dia da Mulher: conheça cientistas que "plantam" inovação no agro Natural de Pernambuco, Joana pesca desde a infância no Canal de Santa Cruz, em Itapissuma, no litoral norte do estado.
Ao longo de mais de 60 anos, sua história inclui a captura e a comercialização de peixes, camarões, mariscos e siris, além da mobilização por direitos para as trabalhadoras da atividade.
Joana foi uma das primeiras mulheres do país a obter o RGP (Registro Geral da Atividade Pesqueira) e a primeira a presidir uma colônia de pescadores.
Também participou da fundação da Articulação Nacional das Pescadoras, movimento que contribuiu para ampliar a visibilidade das mulheres na pesca artesanal e reivindicar o reconhecimento de seus direitos profissionais.
Em 2024, recebeu o Prêmio Mulheres das Águas, do Ministério da Pesca e Aquicultura, na categoria Pesca Artesanal em Águas Marinhas.
Sua atuação inclui a defesa das comunidades pesqueiras e dos territórios costeiros diante da expansão de grandes empreendimentos.
Para Joana, a homenagem internacional também representa uma conquista coletiva.
“Este reconhecimento da FAO incentiva as mulheres a lutar e a participar cada vez mais dos espaços de decisão, porque vemos que estamos ganhando visibilidade.
Foi uma conquista, minha comunidade está muito feliz e agradecida”, afirma.
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