Ação da Raízen (RAIZ4) deveria valer menos que uma bala, segundo o BofA, que vê dívida longe de terminar
O negócio de distribuição de combustíveis deve puxar o lucro operacional da Raízen (RAIZ4) enquanto a empresa arruma a casa depois da aprovação do seu plano de recuperação judicial.
Entretanto, a divisão de Açúcar & Etanol, que carrega a maior parte do endividamento da empresa, deve continuar sendo um peso.
Em relatório desta terça-feira (18), as analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo, do Bank of America, reiteraram a recomendação underperform, equivalente a venda, para as ações RAIZ4 .
A avaliação delas é de que ainda há espaço para as ações caírem dos atuais R$ 0,23, que é o preço próximo dos R$ 0,25 que serão atribuídos às novas ações no processo de troca de dívida do plano de reestruturação.
O preço-alvo estipulado pelo BofA para o final de 2027 é de R$ 0,19 — tão poucos centavos que não pagam nem uma bala tradicional de iogurte.
E não só, representa uma desvalorização de 20% em relação ao preço da conversão de ações prevista para o começo do próximo ano.
LEIA TAMBÉM: Raízen (RAIZ4) tem plano de recuperação extrajudicial aprovado pela Justiça; o que acontece agora? "Reiteramos nossa recomendação underperform, pois vemos uma queda no preço atual das ações, e a situação de desalavancagem na divisão de Açúcar & Etanol está longe do fim, dado o fluxo de caixa limitado em meio a um ambiente de precificação fraco", diz o relatório.
Combustíveis é a salvação de Raízen Embora a perspectiva das analistas do BofA para Raízen não seja das melhores, o banco elevou a projeção de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da empresa para o ano-safra 2026/26.
A expectativa é de uma alta de 16,6%, para R$ 13,2 bilhões, considerando melhores margens no negócio de distribuição de combustíveis.
Somente nesta divisão, o Ebitda deve alcançar R$ 9,4 bilhões — após um incremento de R$ 2 bilhões nas projeções.
O BofA destaca que o último trimestre registrou resultados sólidos na distribuição de combustíveis, com a conversão de 51 novos postos de gasolina para a bandeira Shell, resultando em ganhos de participação de mercado.
Além disso, a Raízen alcançou uma margem Ebitda ajustada recorde de R$ 493 por metro cúbico .
Para o próximo trimestre, as analistas pontuam que as margens começaram a perder força em junho, acompanhando a queda dos preços do petróleo.
Ainda assim, a expectativa é de que a rentabilidade permaneça acima dos níveis considerados normalizados nos nove meses restantes do ano-safra.
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