Investigação de Dark Horse travou em SP sem dados financeiros de produtora
A apuração do caso Dark Horse pela Polícia Civil de São Paulo, cujo sigilo foi derrubado pelo ministro Flávio Dino, travou sem autorização da Justiça para a quebra de sigilo financeiro os dados financeiros da dona da produtora do filme.
O inquérito agora nas mãos de Dino, porém, tem potencial de chacoalhar o caso na reta final da eleição. Isso porque a apuração inclui dados brutos de aparelhos apreendidos pela polícia paulista ao longo da operação, que já foram compartilhadas à Polícia Federal.
O inquérito da polícia paulista, que foi alvo de pressão e até de críticas pela Prefeitura de São Paulo, investiga um suposto desvio de valores de um contrato de mais de R$ 100 milhões da capital paulista com o ICB (Instituto Conhecer Brasil) para instalação e manutenção de pontos wi-fi. A presidente do instituto, Karina Ferreira da Gama, também é a dona da Go Up Entertainment, responsável pelo filme de Jair Bolsonaro.
Iniciado com base em uma reportagem do site Intercept, o inquérito da Polícia Civil de São Paulo focava em várias empresas subcontratadas pelo ICB no âmbito do contrato para wi-fi na capital. O assunto, porém, ganhou maiores proporções após gravações reveladas pelo mesmo site mostrarem que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para fazer o filme.
O caso foi avocado pelo ministro Flávio Dino, que já investigava emendas repassadas ao ICB. Há ainda um outro inquérito no STF, que apura eventuais desvios no caso Dark Horse decorrentes de envios feitos por Daniel Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos que supostamente bancaria o filme.
A apuração policial em São Paulo acabou esbarrando na dificuldade de conseguir relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre as contas do ICB e de sua presidente, Karina Ferreira da Gama. O Ministério Público manifestou-se favoravelmente à medida em junho, afirmando que o acesso era necessário para confirmar ou afastar as suspeitas investigadas.
O juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, determinou em 28 de agosto que a Polícia Civil apresentasse mais informações. O magistrado considerou que a representação não havia individualizado suficientemente quais provas, independentes da denúncia inicial e das reportagens anexadas ao processo, sustentavam as suspeitas sobre os valores movimentados.
A Justiça exigiu que a polícia apontasse as provas concretas que justificavam a inclusão pessoal de Karina na pesquisa financeira, inclusive em relação à suspeita de que recursos do contrato municipal tivessem sido empregados nas atividades da Go Up Entertainment.
Em resposta apresentada em 4 de setembro, a Polícia Civil afirmou ter obtido provas materiais que não dependiam das reportagens.
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