O que explica as grandes fazendas de maconha descobertas em MG
Belo Horizonte – A combinação entre logística, proximidade com o mercado consumidor do Sudeste e dificuldade de acesso policial ajuda a explicar por que criminosos estão escolhendo áreas rurais do Norte e Nordeste de Minas Gerais para cultivar maconha em larga escala.
A avaliação é do sociólogo, especialista em segurança pública e pesquisador da PUC Minas Luiz Flávio Sapori, ouvido pelo Metrópoles após cinco grandes plantações da droga serem descobertas por forças de segurança em diferentes regiões do estado.
Para Sapori, a escolha dos locais não ocorre por acaso .
Além de permitir reduzir os custos para levar a droga aos grandes centros consumidores do Sudeste, as propriedades rurais mais isoladas oferecem uma vantagem para os responsáveis pelos cultivos: dificultam a chegada e a fiscalização das forças policiais.
“Tem dimensões logísticas, pode baratear o preço do produto para o mercado do Sudeste, tem também a qualidade da terra e a dificuldade de acesso da polícia até regiões mais inóspitas”, afirma o especialista.
Neste ano, operações conjuntas envolvendo a Polícia Civil, a Polícia Federal e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) localizaram cinco grandes áreas de cultivo de maconha em Minas Gerais.
As plantações foram descobertas em municípios como Virgem da Lapa, Grão Mogol, Porteirinha, Unaí e Cachoeira do Pajeú, onde cerca de 40 mil pés da droga foram encontrados em uma única propriedade.
Produção perto do mercado consumidor A expansão dos cultivos em território mineiro ocorre em uma região que também tem uma característica geográfica estratégica.
O Norte de Minas faz divisa com a Bahia e está conectado ao interior nordestino, onde há histórico de produção clandestina de maconha.
Para Sapori, porém, a existência de plantações em diferentes pontos não significa necessariamente que exista uma única organização responsável por elas .
O especialista explica que o cultivo ilegal de maconha em áreas rurais não é uma novidade no Brasil.
Há registros de produção no interior do Ceará, no sertão de Pernambuco e na Bahia, além da droga produzida no Paraguai e introduzida no mercado brasileiro.
“Existem vários pequenos ou médios produtores, plantadores de maconha no Brasil, além da maconha que vem do Paraguai.
Então, tem vários fornecedores do produto, nacionais e internacionais”, afirma.
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