Griselli: redes de telecom precisam evoluir para a chegada da inteligência artificial
As redes de telecomunicações precisam evoluir para conseguir entregar os serviços de inteligência artificial no Brasil. Em fala no 25º Fórum Empresarial LIDE , que aconteceu nesta sexta-feira, 21, no Rio de Janeiro, Alberto Griselli, CEO da TIM e presidente da Conexis , disse que, se antes, a rede era unilateral, ou seja, as pessoas consumiam mais do que gerava dados, agora, com a IA, a relação é bidirecional. É preciso enviar informações para depois receber os dados pedidos, tratados.
E, para que a IA prospere no Brasil, ela depende da rede. “Tudo roda em cima da nossa rede. Para nós, representa um desafio futuro relevante. Com a IA, ela muda de forma profunda”, comentou.
Para Griselli, o Brasil precisa sair de um país conectado para um país digital.
“O próximo desafio na era da IA é passar de um Brasil conectado para um Brasil digital, para aumentar desenvolvimento, produtividade e competitividade. Isso deve acontecer com uma velocidade muito rápida”, disse.
Como exemplo, Griselli comparou a rapidez de a Netflix e ChatGPT chegarem a 1 milhão de assinantes. Enquanto a plataforma de streaming levou 3 anos e meio, a IA generativa levou apenas cinco dias.
“Esse tsunami tecnológico está impactando as empresas, setores econômicos, soberania nacional, e o perfil de consumo dos clientes. Ela é um grande desafio e também uma grande oportunidade. A tecnologia é condição necessária, mas não é suficiente, e esse é o grande desafio: combinar um ecossistema que permita aproveitamento da tecnologia digital para o que vem – aumento de produtividade e de crescimento”, afirmou.
Para que isso aconteça, o CEO da TIM apontou cinco aspectos essenciais para garantir crescimento sustentável que o Brasil precisa avançar para além da tecnologia:
“A competição é local, rede é local, mas o poder de mercado é global. Hoje, o poder de mercado está no dado, na cloud – mas que não necessariamente está no Brasil. A evolução do sistema de arcabouço regulatório é uma prioridade”, afirmou.
“Precisamos ter certeza de que as regras combinadas não vão mudar e serão cumpridas. É importante num setor de infraestrutura com elevado investimento”, comentou.
“Cada ano o nosso setor tem vandalismos. Mas são 5 milhões de metros furtados a cada ano. É uma quantidade muito elevada. É um problema de serviço aos nossos clientes. 8 milhões de brasileiros são impactados pelo roubo do crime organizado que rouba a nossa infraestrutura”, exemplificou.
“Ou seja, a maior parte dos brasileiros não têm habilidade digital necessária para aproveitar a tecnologia, como a IA, nos próximos anos”, afirmou.
“No final das contas, um país soberano é um país que certamente tem infraestrutura digital muito sólida”, encerrou sua fala.
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