Por que o cérebro prefere gastar agora a poupar para o futuro? Veja papel da dopamina
Comprar pela internet, pedir comida por aplicativo ou resolver problemas com poucos cliques oferece uma sensação quase instantânea de satisfação.
Mas por que é tão fácil buscar recompensas imediatas e tão difícil manter a disciplina para objetivos de longo prazo, como poupar ou planejar a aposentadoria? Parte da resposta está na dopamina, substância produzida pelo cérebro que participa dos mecanismos de motivação e tomada de decisão.
É o que explica a neurocientista Carla Tieppo, que estuda o sistema dopaminérgico há cerca de 30 anos e acaba de lançar o livro Dopamina: vilã ou mocinha? , escrito em parceria com a filósofa Carina Grassotti.
Segundo ela, a dopamina ganhou popularidade nas redes sociais, mas muitas das explicações que circulam na internet não correspondem ao seu funcionamento.
Substância associada ao prazer, a dopamina participa da escolha de comportamentos e da motivação para realizar tarefas, inclusive aquelas que exigem esforço e disciplina.
“Quanto maior a nossa expectativa de recompensa imediata pela ação, maior é a força que a gente tem para realizar aquela ação.” — Carla Tieppo Confira também: Veja 9 dicas para ensinar seus filhos a lidar com dinheiro Ela cita como exemplo as compras pela internet: mesmo que o produto demore dias para chegar, o consumidor experimenta uma satisfação instantânea ao concluir o pedido.
O mesmo acontece quando alguém pede uma refeição por aplicativo.
A comida ainda não chegou, mas a pessoa já resolveu o que vai comer.
Esse mecanismo também ajuda a compreender um dos desafios do planejamento financeiro: abrir mão de uma satisfação presente em benefício de algo que só trará resultados no futuro.
Enquanto uma compra oferece uma recompensa imediata, guardar dinheiro ou investir para a aposentadoria exige constância, mesmo quando os benefícios parecem distantes.
Leia mais : Veja 5 dicas para as mulheres garantirem a saúde financeira no longo prazo Como transformar o esforço em motivação? Para Carla, o problema está na maneira como as pessoas direcionam seus desejos e valorizam os próprios esforços e não na dopamina em si.
Ela observa que muitas pessoas encaram atividades importantes para o bem-estar, como exercícios físicos, como obrigações das quais querem se livrar, em vez de conquistas que merecem reconhecimento.
A mesma reflexão vale para a construção de hábitos financeiros, que dependem de disciplina ao longo do tempo.
“Você está se deixando cooptar pela sociedade que está escolhendo onde vai pôr sua dopamina”, diz Carla, ao comentar a influência das redes sociais e dos estímulos digitais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.